11 governadores e 10 prefeitos de capitais renunciam para serem candidatos na eleição
Por g1
Onze governadores e dez prefeitos de capitais renunciaram a seus mandatos para disputar outros cargos na eleição deste ano, como exige a lei. O levantamento é do g1.
O prazo de desincompatibilização terminou na noite de sábado (4), a seis meses do primeiro turno. A regra é válida para quem ocupa cargos no Poder Executivo, com o objetivo de evitar o uso da máquina pública em favor das candidaturas.
Entre os governadores que renunciaram, dois são pré-candidatos à Presidência da República — Romeu Zema e Ronaldo Caiado —, e oito devem disputar o Senado, que neste ano vai renovar 54 das 81 cadeiras. Veja os nomes:
- Acre: Gladson Cameli (PP)
- Amazonas: Wilson Lima (União)
- Distrito Federal: Ibaneis Rocha (MDB)
- Espírito Santo: Renato Casagrande (PSB)
- Goiás: Ronaldo Caiado (PSD)
- Mato Grosso: Mauro Mendes (União)
- Minas Gerais: Romeu Zema (Novo)
- Pará: Helder Barbalho (MDB)
- Paraíba: João Azevêdo (PSB)
- Rio de Janeiro: Cláudio Castro (PL)
- Roraima: Antonio Denarium (Republicanos)
Quando o governador deixa o cargo, o vice assume e pode ser candidato a um novo mandato. É o que deve acontecer na maioria dos estados.
No Rio de Janeiro, há uma situação diferente: como Cláudio Castro estava sem vice, que foi nomeado para uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, haverá uma nova eleição para um mandato-tampão até o fim do ano. O Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir se será uma eleição direta, com votos dos eleitores, ou indireta, em que somente os deputados estaduais podem votar.

A saída do cargo não confirma a candidatura, mas é uma condição exigida. A oficialização só ocorrerá em agosto, após as convenções partidárias e o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Governadores que podem tentar a reeleição não precisam deixar o cargo enquanto são candidatos. O mesmo vale para o presidente Lula (PT). São eles:
- Amapá: Clécio Luís (União)
- Bahia: Jerônimo Rodrigues (PT)
- Ceará: Elmano de Freitas (PT)
- Mato Grosso do Sul: Eduardo Riedel (PP)
- Pernambuco: Raquel Lyra (PSD)
- Piauí: Rafael Fonteles (PT)
- Santa Catarina: Jorginho Mello (PL)
- São Paulo: Tarcísio de Freitas (Republicanos)
- Sergipe: Fábio Mitidieri (PSD)
Há também os governadores que vão concluir o mandato e decidiram não disputar a eleição.
- Alagoas: Paulo Dantas (MDB)
- Maranhão: Carlos Brandão (sem partido)
- Paraná: Ratinho Junior (PSD)
- Rio Grande do Norte: Fátima Bezerra (PT)
- Rio Grande do Sul: Eduardo Leite (PSD)
- Rondônia: Marcos Rocha (PSD)
- Tocantins: Wanderlei Barbosa (Republicanos)
Eduardo Leite pretendia ser candidato a presidente e perdeu a disputa no PSD para Ronaldo Caiado, governador de Goiás. No caso de Fátima Bezerra, houve uma reviravolta: o plano de tentar o Senado foi frustrado porque o vice, Walter Alves, se negou a assumir o lugar dela. Ele quer ser candidato a deputado estadual.
Quem são os prefeitos com planos eleitorais
Os prefeitos de capitais que renunciaram devem disputar os governos de seus estados. A lista inclui Eduardo Paes, do Rio, que tentará pela segunda vez se eleger governador, o prefeito do Recife, João Campos, e João Henrique Caldas, o JHC, que trocou o PL pelo PSDB em Maceió.
Veja os nomes.
- Eduardo Paes (PSD), ex-prefeito do Rio de Janeiro
- Lorenzo Pazzolini (Republicanos), ex-prefeito de Vitória
- João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife
- Eduardo Braide (PSD), ex-prefeito de São Luís
- Cícero Lucena (MDB), ex-prefeito de João Pessoa
- David Almeida (Avante), ex-prefeito de Manaus
- Dr. Furlan (PSD), ex-prefeito de Macapá
- Tião Bocalom (PSDB), ex-prefeito de Rio Branco
- Arthur Henrique (PL), ex-prefeito de Boa Vista
- João Henrique Caldas (PSDB), ex-prefeito de Maceió

Saiba mais sobre os governadores e prefeitos que serão candidatos
Acre: Gladson Cameli (PP)

O governador do Acre, Gladson Cameli comunicou sua renúncia ao cargo no dia 24 de março, que começou a valer a partir do dia 2 de abril. No cargo desde 2019, ele não pode disputar a reeleição sinaliza que tentará uma vaga no Senado em 2026. Com a renúncia, a vice-governadora Mailza Assis (PP) assume o governo do Estado.
Amazonas: Wilson Lima (União Brasil)

A renúncia do governador do Amazonas, Wilson Lima, foi publicada em edição extra do Diário Oficial do estado na noite de sábado (4),a poucos minutos do fim do prazo. Não houve evento ou declaração pública prévia sobre o ato. Ele também não informou para qual cargo pretende se candidatar.
Wilson Lima disse anteriormente que concluiria o mandato e não se candidataria neste ano. Em carta entregue à Assembleia Legislativa às 23 horas do sábado, ele afirmou apenas que tomou a decisão “em caráter irrevogável e irretratável” e “visando o cumprimento do prazo de seis meses de desincompatibilização exigido para a disputa de novo cargo eletivo nas eleições gerais de 2026”.
O vice-governador, Tadeu de Souza (Republicanos) também renunciou, e o presidente da Assembleia Legislativa, Roberto Cidade (União Brasil), assumiu o governo.
Distrito Federal: Ibaneis Rocha (MDB)

Governador do Distrito Federal desde 2019, Ibaneis Rocha (MDB) anunciou a saída do cargo no fim de março. Ele pretende disputar uma vaga no Senado. A vice Celina Leão (PP) assumiu o governo e deve tentar um novo mandato. Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Ibaneis poderá ter como adversárias na eleição do Senado dois nomes fortes do bolsonarismo: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada Bia Kicis, ambas do PL.
Espírito Santo: Renato Casagrande (PSB)
Renato Casagrande, do PSB, deixou o governo do Espírito Santo para disputar o Senado. O vice Ricardo Ferraço passou a comandar o estado e deve ser candidato a governador pelo MDB. Ele aparece em primeiro lugar na pesquisa Quaest divulgada no fim de março. O levantamento mostrou também que Casagrande deixa o governo com aprovação de 77% dos eleitores do Espírito Santo.
Goiás: Ronaldo Caiado (PSD)

Ronaldo Caiado trocou o União Brasil pelo PSD no começo do ano para ser candidato presidencial. Ele foi escolhido pelo partido na semana passada após o Ratinho Junior desistir. Na disputa, Caiado superou Eduardo Leite, do RS. O governador renunciou ao mandato na última semana e passou o cargo ao vice, Daniel Vilela (MDB). Nas pesquisas mais recentes, Caiado tem 4% das intenções de voto.
Mato Grosso: Mauro Mendes (União Brasil)

Mauro Mendes, do União Brasil, renunciou ao governo de Mato Grosso na última terça-feira (31) para tentar uma vaga no Senado. O vice Otaviano Pivetta (Republicanos) assumiu o cargo e tem o apoio do ex-governador para buscar um novo mandato.
Minas Gerais: Romeu Zema (Novo)

Pará: Helder Barbalho (MDB)

O governador do Pará, Helder Barbalho, deixou o cargo na última quinta-feira (2) para disputar uma vaga no Senado. Governador por dois mandatos, é um dos políticos do MDB mais próximos do presidente Lula. A vice-governadora Hana Ghassan, também do MDB, assumiu o governo e deve concorrer na chapa do MDB ao governo do estado.
Paraíba: João Azevêdo (PSB)

João Azevêdo (PSB) renunciou ao cargo na última quinta (2) para concorrer ao Senado. Lucas Ribeiro (PP), o vice, assumiu o governo e deve ser candidato a um novo mandato. Azevêdo foi governador por dois mandatos e venceu as eleições de 2018 e 2022.
Rio de Janeiro: Cláudio Castro (PL)

Pré-candidato ao Senado, Cláudio Castro renunciou em 23 de março, um dia antes de ser condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico e se tornar inelegível. O rio de Janeiro ainda definirá quem assumirá o governo de forma interina até o fim do ano.
Caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF) decidir se essa escolha ocorrerá por meio de eleição direta, com a participação de cerca de 13 milhões de eleitores, ou de forma indireta, realizada pelos 70 deputados estaduais da Alerj. Em qualquer dos casos, o eleito exercerá um mandato-tampão até o término do ano.
Inelegível, Castro pode recorrer e tentar uma candidatura sub judice, com sua situação sendo posteriormente analisada pela Justiça.
Roraima: Antonio Denarium (Republicanos)

Antonio Denarium (Republicanos-RR) renunciou ao cargo no fim de março para concorrer ao Senado. O governo passa a ser exercido por Edilson Damião (União). Ribeiro também é cotado para disputar as eleições para governador do estado.
Denarium e Damião respondem a um processo de cassação de mandato no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
A renúncia de Denarium não põe fim ao processo. Assim, Damião segue como alvo do julgamento e poderá perder o mandato de governador caso a cassação do diploma seja confirmada.
Além da renúncia em março, no sábado (4) Denarium mudou de partido. Ele deixou o PP e é o novo presidente dos Republicanos em Roraima.
Prefeitos de capitais
Eduardo Paes (PSD), do Rio de Janeiro (RJ)

Eduardo Paes deixou a prefeitura da cidade do Rio de Janeiro no dia 20 de março, dois meses depois de confirmar publicamente sua pré-candidatura ao governo do estado. O seu vice, Eduardo Cavaliere, assumiu e se tornou o prefeito mais jovem da cidade, com 31 anos.
Paes foi o primeiro prefeito de capital a deixar o cargo para disputar as eleições de outubro. Reeleito em 2024, estava em seu quarto mandato à frente da prefeitura, e a renúncia contraria uma das promessas feitas durante a campanha, quando afirmou que não concorreria ao governo do estado.
Paes já disputou o governo do Rio de Janeiro em 2018, quando foi derrotado por Wilson Witzel, que também anunciou pré-candidatura ao cargo em 2026.
Lorenzo Pazolini (Republicanos), prefeito de Vitória (ES)

Lorenzo Pazolini formalizou, na última quarta-feira (1º), sua renúncia ao cargo de prefeito de Vitória para disputar o governo do Espírito Santo. A vice-prefeita Cris Samorini (PP) assumiu a gestão.
Em seu segundo mandato, Pazolini havia sido reeleito em 2024 após derrotar, pela segunda vez consecutiva, João Coser (PT). Delegado da Polícia Civil, ele também solicitou afastamento da corporação, com licença válida por três meses a partir de 6 de abril.
João Campos (PSB), prefeito de Recife (PE)

João Campos oficializou, em 20 de março, sua pré-candidatura ao governo de Pernambuco durante coletiva de imprensa no Recife e saiu oficialmente na quinta-feira (2). Com a saída de Campos da prefeitura, o vice-prefeito Victor Marques (PCdoB) assume o cargo.
Ao renunciar, Campos anunciou Carlos Costa — irmão do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho — como vice na chapa para as eleições de 2026.
Em seu primeiro mandato como prefeito, Campos também foi deputado federal por Pernambuco, eleito em 2018.
Eduardo Braide (PSD), prefeito de São Luis (MA)

Eduardo Braide comunicou sua pré-candidatura ao governo do Maranhão na última terça-feira (31). O anúncio foi feito por meio de um vídeo publicado em suas redes sociais. Sua vice, Esmênia Miranda, tomou posse no lugar.
No vídeo, Eduardo Braide afirmou que a decisão de disputar o governo estadual está relacionada ao desejo de ampliar para outras regiões do Maranhão ações que, segundo ele, foram adotadas durante sua gestão à frente da Prefeitura de São Luís.
Reeleito em 2024, é o quarto a anunciar pré-candidatura ao governo doMarnhão, junto com Orleans Brandão (MDB), Lahesio Bonfim (Novo) e Enilton Rodrigues (PSOL).
Cícero Lucena (MDB), prefeito de João Pessoa (PB)

Cícero Lucena renunciou na última quinta-feira (2) para concorrer ao cargo de governador da Paraíba. Com sua saída, o vice Leo Bezerra (Cidadania) assume como prefeito de João Pessoa.
Em outubro, Lucena se filiou ao MDB depois que seu partido anterior, o PP, escolheu apoiar a candidatura do atual vice-governador, Lucas Ribeiro, para o governo do estado.
David Almeida (Avante), prefeito de Manaus (AM)

David Almeida oficializou a saída da prefeitura de Manaus na última terça-feira (31) para concorrer ao governo do Amazonas em outubro. Com a saída, o vice-prefeito Renato Junior assumiu o cargo de prefeito.
David Almeida já havia anunciado, em fevereiro deste ano, que seria pré-candidato ao governo do Amazonas pelo seu atual partido, o Avante.
Almeida estava em seu segundo mandato como prefeito. Sua trajetória política começou como deputado estadual em 2006, cargo que ocupou por três mandatos. Em 2017 foi governador interino do Amazonas. No mesmo ano concorreu ao cargo de governador do estado e ficou na terceira posição com 417.203 votos.
Dr. Furlan, prefeito afastado de Mapacá (AP)

Afastado pelo STF por suspeita de fraudes em licitações, Dr. Furlan renunciou ao cargo de prefeito de Macapá (AP) no dia 5 de março. No mesmo dia que foi destituído da prefeitura, anunciou nas suas redes sociais a pré-candidatura ao governo do estado.
Tião Bocalom (PSDB), prefeito de Rio Branco (AC)

Tião Bocalom deixou a prefeitura de Rio Branco na sexta (3) para poder concorrer ao governo do Acre. Ele já havia formalizado sua renúncia na Câmara dos Vereadores da capital no dia 26 de março, mas esperou oito dias para sair do cargo. Seu vice, Alysson Bestene (Progressistas), assumiu como prefeito.
Bocalom se filiou ao PSDB em março, após deixar o PL.
Foi eleito prefeito de Rio Branco pela primeira vez em 2020, quando derrotou a então prefeita Socorro Neri no segundo turno, com 62,93% dos votos válidos. Em outubro de 2024, foi reeleito no primeiro turno, com 54,82%.
Antes, comandou a prefeitura de Acrelândia por dois mandatos e meio (1993 a 1996 e 2001 a 2005).
Arthur Henrique (PL), prefeito de Boa Vista (RR)

Arthur Henrique (PL) deixou a prefeitura de Boa Vista (RR) na quinta-feira (2). Ele ainda não divulgou a qual cargo pretende concorrer.
Com a renúncia, o vice-prefeito, Marcelo Zeitoune (PL), assume a prefeitura até 31 de dezembro de 2028, quando termina o mandato da chapa.
A saída foi anunciada em um vídeo publicado no Instagram. “Hoje eu entrego o mandato de prefeito num ato de coragem, que faço com muita responsabilidade, pois eu amo Boa Vista, a cidade onde eu nasci, para me colocar à disposição do povo na missão e no cargo que se julgar mais importante o nosso estado.”
Arthur estava em seu segundo mandato, e nas duas vezes foi eleito pelo MDB. Em outubro de 2025, deixou o partido para se filiar ao PL.
João Henrique Caldas (PSDB), prefeito de Maceió (AL)

Conhecido como JHC, João Henrique Caldas é prefeito de Maceió desde 2021 e anunciou somente no sábado, último dia do prazo, a sua saída do cargo.
Ele deixou o PL, partido que presidia no estado, e foi para o PSDB. O motivo foram desentendimentos na formação da chapa com candidatos ao governo do Estado e ao Senado.
Arthur Lira (PP), ex-presidente da Câmara, deve ser candidato ao Senado com apoio do PL, e o partido filiou também o deputado Alfredo Gaspar, que era do União Brasil e ganhou projeção recentemente como relator da CPI do INSS.
Agora no PSDB, JHC não disse ainda para qual cargo deve concorrer. Ele chegou à prefeitura ao vencer a eleição de 2020 e foi reeleito em 2024 no primeiro turno com mais de 83% dos votos.
* Colaboraram: Josi Paixão (g1 AP), Taymã Carneiro (g1 PA), Valéria Martins (g1 PA), Jacqueline Nascimento (g1 AM), Marina Sérvio (g1 PI), Lucas Leite (g1 AL), Nayana Siebra (g1 CE), Leonardo Igor (g1 CE), Diego Nunez (g1 RS).