“A economia se entrelaça com todo o resto e afeta de maneira determinante a opinião dos eleitores. Então, é natural que o governo Lula esteja tentando faturar politicamente com esses números”, afirma o especialista.
Tavares Maluf acredita, porém, que seis meses do governo é pouco tempo para mudar rumos da economia e que os efeitos do governo Lula no setor ainda estão por serem sentidos. “Os resultados que a economia está apresentando não derivam necessariamente de decisões do governo Lula. E isso não quer dizer que sejam louros do governo Bolsonaro, afinal ele levou o Estado a gastar muito em sua tentativa de reeleição e prejudicou as contas públicas. Então, muitos números são resultado dos ciclos econômicos globais”, analisa o cientista político.
“Algum crédito também pode ser dado ao Banco Central, que resiste, desde Bolsonaro, às pressões para baixar os juros. Mas também não estou dizendo que o atual governo não fez nada de positivo. A equipe econômica tem demonstrado muito juízo, muita organização e muita capacidade de diálogo entre eles e com setores de fora do governo. Eles inclusive seguram certas atitudes voluntaristas do Lula que poderiam atrapalhar mais do que ajudar”, opina Tavares Maluf.
O pesquisador lamenta, porém, que o governo esteja levando a cabo um programa para estimular a venda de carros particulares. “Não é o momento para estimular mais carros nas ruas. Talvez essa medida renda resultados imediatos do ponto de vista econômico, mas ela vai nos gerar problemas num futuro próximo, com as grandes cidades cada vez mais inviabilizadas pelo trânsito e pela poluição”, frisa Rui Tavares Maluf.
Dados econômicos
A economia brasileira superou as expectativas do mercado e registrou forte resultado no primeiro trimestre de 2023. Segundo dados divulgados no início de junho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) do país avançou 1,9% entre janeiro e março deste ano, na comparação com o trimestre anterior.
O resultado veio acima das estimativas do mercado, que giravam em torno de 1,3%.
Em relação ao primeiro trimestre do ano passado, o PIB do Brasil teve alta de 4%, também acima das projeções. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o crescimento foi de 3,3%.
A inflação no Brasil fechou maio em seu menor patamar em quase três anos, de acordo com os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados na quarta-feira (7/6).
O IPCA acumulado em 12 meses até maio ficou em 3,94%, registrando a menor inflação desde outubro de 2022, quando o índice havia sido de 3,92%.
No mês de maio, a inflação subiu 0,23%, abaixo das expectativas do mercado, que projetava alta de 0,33%.
O número representou também a terceira desaceleração mensal seguida no índice, que vem ficando menor desde fevereiro. Em abril, o IPCA havia subido 0,61%, após alta de 0,71% em março e 0,84% em fevereiro.
Como consequência da mudança na política de preços dos combustíveis da Petrobras, foi observada no país uma redução no valor dos combustíveis.
Em maio, a companhia anunciou redução de R$ 0,40 no preço do litro da gasolina e de R$ 0,44 no do diesel.
Também em maio, houve redução do gás de cozinha em 21,3% (R$ 0,69 por kg no preço médio). Com isso, o preço médio ao consumidor ficou abaixo de R$ 100 pela primeira vez desde outubro de 2021.
Em 1º de junho, Lula ainda assinou decreto para garantir o pagamento de adicional de 50% no Auxílio Gás até dezembro de 2023, para evitar interrupção no pagamento do valor adicional (entenda aqui). O programa do governo federal auxilia famílias de baixa renda a comprarem gás de cozinha.