Rússia realizará eleições nas regiões anexadas em setembro, dizem autoridades
Vladimir Putin. Foto: Mikhail Svetlov /Getty Images
Por Anna Chernova,
A Rússia deve realizar eleições locais nas quatro regiões ucranianas controladas por Moscou, disse o chefe da Comissão Eleitoral Central (CEC) na segunda-feira (3).
Os eleitores elegerão governadores locais e outras autoridades em setembro, disse Ella Pamfilova ao presidente russo, Vladimir Putin, durante uma reunião.
A data para essas eleições está marcada para 10 de setembro, disse o CEC no Telegram.
Os governadores das quatro regiões anexadas, nomeados pela Rússia, que o Ocidente considera ilegais, apresentaram uma iniciativa para realizar eleições locais, segundo Pamfilova, que acrescentou que a iniciativa foi aprovada após consideração em conjunto com o Serviço Federal de Segurança (FSB) e o ministério da defesa russo.
“Os líderes de todos os quatro novos territórios – as Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk e as regiões de Zaporizhzhia e Kherson – vieram até nós com uma iniciativa [sugerindo] que surgiu a necessidade de realizar essas eleições”, disse ela.
Em setembro, 41 outras eleições regionais ocorrerão para eleger governadores, membros de assembleias legislativas ou ambos em toda a Rússia, disse Pamfilova.
Conflito duradouro
Dmitry Medvedev, ex-presidente da Rússia, alertou que o confronto de Moscou com o Ocidente durará décadas e que seu conflito com a Ucrânia pode se tornar permanente.
Medvedev, antes visto no Ocidente como um modernizador liberal, emergiu como um dos defensores mais diretos da Rússia desde que Moscou lançou o que chamou de “operação militar especial” na Ucrânia no ano passado.
Agora vice-chefe do Conselho de Segurança, suas opiniões refletem parte do pensamento do alto escalão do Kremlin, segundo autoridades russas.
Em um artigo para o jornal do governo Rossiiskaya Gazeta, ele disse que as tensões entre a Rússia e o Ocidente eram “muito piores” do que durante a crise dos mísseis cubanos de 1962, quando o mundo oscilou à beira de uma conflagração nuclear.
Uma guerra nuclear é “bastante provável”, mas é improvável que haja vencedores, afirmou Medvedev, que tem dito repetidamente que o apoio ocidental à Ucrânia aumenta as chances de um conflito nuclear.
Ele citou diferenças acentuadas sobre a Ucrânia, a direção da humanidade e a forma como a ordem mundial está estruturada.
“Uma coisa que os políticos de todos os tipos não gostam de admitir: tal Apocalipse não é apenas possível, mas também bastante provável”, escreveu Medvedev.
Analistas ocidentais classificam o que dizem ser o “barulho de sabre nuclear” de Medvedev como uma tática destinada a assustar o Ocidente para reduzir o apoio militar à Ucrânia e, em vez disso, pressionar Kiev a iniciar negociações de paz com Moscou.
Muitos países do Ocidente, que dizem estar ajudando a Ucrânia a se defender de uma brutal guerra colonial de conquista, prometeram apoiar Kiev pelo tempo que for necessário.
(Com informações da Reuters)