Você sabia? Pai de Collor matou senador em sessão em 1963
Fernando Collor de Mello. Foto: Reprodução
Por Paulo Moura
Os aficionados em política brasileira certamente devem conhecer a história do que aconteceu na tribuna do Senado no dia 4 de dezembro de 1963. Entretanto, para aqueles que não sabem, ou não se lembram, esta reportagem contará nos próximos parágrafos a história de uma desavença que culminou com um final trágico: a morte de um político dentro do Congresso Nacional.

A rivalidade em questão tinha como personagens os senadores Arnon de Mello (PDC-AL) e Silvestre Péricles (PST-AL). Pai do ex-presidente Fernando Collor de Mello, Arnon disparou dois tiros com seu revólver Smith Wesson 38 contra Silvestre após ter sido xingado pelo rival. Os projéteis, no entanto, não acertaram o petebista, que desviou.
O intento de Arnon, na verdade, acabou vitimando um político que não tinha relação com a rixa, o senador José Kairala (PSC-AC), que foi atingido no abdômen e morreu horas depois no Hospital Distrital de Brasília. Curiosamente, Kairala sequer era titular da vaga no Senado, mas estava como suplente do senador José Guiomard (PSD-AC), a quem ele devolveria o posto dias depois.
De acordo com uma reportagem do jornal O Globo na época, Kairala chegou ao hospital às 15h45, quando foi levado para o centro cirúrgico. Vítima de hemorragia interna, ele recebeu diversas transfusões de sangue, totalizando 16 litros, que acabaram com o estoque de plasma da unidade hospitalar. Às 20h05, ele acabou não resistindo e morreu durante uma cirurgia.
Arnon até chegou a ficar algumas horas preso, mas foi liberado sob a alegação de que agira em legítima defesa. Em seu depoimento no Ministério da Aeronáutica, o pai de Collor argumentou que vinha sendo ofendido e ameaçado por Péricles havia anos e que, quando começou a discursar na tribuna, viu o rival avançando sobre ele com a mão na cintura, como se estivesse pegando uma arma.
Meses depois, tanto Arnon quanto Péricles foram inocentados da morte de Kairala pela Justiça do Distrito Federal. O entendimento na época foi de que a morte do parlamentar teria sido praticada em legítima defesa. Esse, porém, não foi o primeiro nem o último episódio de tiros dentro do Congresso.
A primeira morte no Parlamento brasileiro aconteceu ainda em 1929, quando a capital do Brasil ainda era o Rio de Janeiro. Em 26 de dezembro daquele ano, o deputado gaúcho Ildefonso Simões Lopes matou o rival e também parlamentar Manoel Francisco de Sousa Filho, natural de Pernambuco.
Outro episódio envolvendo tiros no Congresso aconteceu quase quatro anos depois da morte de Kairala, em 8 de junho de 1967; dessa vez, os protagonistas foram os parlamentares Nelson Carneiro (MDB-RJ) e Estácio Souto Maior (MDB-PE), pai do piloto Nelson Piquet.
A confusão começou quando os dois bateram boca no Plenário por causa da disputa pela presidência da União Parlamentar e Souto Maior deu um tapa em Nelson. Carneiro revidou depois, quando encontrou Souto Maior no hall da Câmara e disparou um tiro contra o parlamentar pernambucano.
Apesar de ficar ferido, Souto Maior ainda tomou a arma do deputado fluminense e atirou contra Carneiro, que conseguiu se esquivar. No processo sobre o caso, ambos foram absolvidos, a exemplo do episódio entre Arnon de Mello e Silvestre Péricles.