Aliados da Otan dizem que o aprofundamento da parceria da China com a Rússia vai contra os valores da aliança
Os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, durante encontro no Kremlin, em Moscou, em 20 de março de 2023. — Foto: Russian Pool via AP
Por Niamh Kennedy,
Os aliados da Otan pediram à China que se abstenha de apoiar o esforço de guerra russo na Ucrânia “de qualquer forma”, enfatizando que o “aprofundamento” da parceria da China com a Rússia vai contra os valores da aliança.
Em um comunicado conjunto publicado na terça-feira (11), os aliados da Otan disseram que as “ambições declaradas e políticas coercitivas” da República Popular da China (RPC) desafiam os “interesses, segurança e valores” da aliança.
“O aprofundamento da parceria estratégica entre a RPC e a Rússia e suas tentativas de reforço mútuo de minar a ordem internacional baseada em regras vão contra nossos valores e interesses”, disseram os aliados na declaração.
“Apelamos à RPC para desempenhar um papel construtivo como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para condenar a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, para se abster de apoiar o esforço de guerra da Rússia de qualquer forma, para parar de amplificar a falsa narrativa da Rússia culpando a Ucrânia e a Otan para a guerra, e aderir aos propósitos e princípios da Carta da ONU.”
Os aliados da Otan emitiram um apelo específico à China para “agir com responsabilidade e abster-se de fornecer qualquer ajuda letal à Rússia” para uso na guerra na Ucrânia.
A China se recusou a condenar a invasão em grande escala da Ucrânia por Moscou ou pedir a retirada das tropas russas do território ucraniano.
No final de maio, o enviado da China para a guerra na Ucrânia, Li Hui, realizou uma viagem de duas semanas à Europa, na qual a China destacou a resolução do conflito entre a Rússia e a Ucrânia.
Embora a China tenha adotado uma postura neutra em relação ao conflito, os líderes da Otan, incluindo o presidente francês Emmanuel Macron, expressaram publicamente sua esperança de que o presidente chinês Xi Jinping pudesse “raciocinar” com seu colega russo, Vladimir Putin.
Xi se encontrou pela última vez com Putin durante uma visita de Estado ao Kremlin em março, e os dois líderes elogiaram os laços estreitos e as visões estratégicas compartilhadas por seus países.