Não foi. Faz tempo que Lula tinha conversado com ela a respeito de Pochmann. O que a surpreendeu foi que o anúncio coube a Paulo Pimenta, ministro da Secretaria de Comunicação Social. Um “ruído de comunicação” do governo, mais um.
Então, por que parte da imprensa tem feito tanto barulho em torno do episódio?
Porque Márcio Pochmann é um economista de esquerda, e ela não gosta de economistas de esquerda, só dos chamados liberais. Porque entre os economistas liberais, a imprensa tem fontes de informação a rodo, e entre os de esquerda, não ou poucas.
É só por isso?
Não. Quando presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), entre o segundo governo de Lula e o primeiro de Dilma, Pochmann foi acusado de só trabalhar com quem pensava como ele, e de engavetar informações.
Pochmann poderá outra vez se comportar assim?
Com a palavra, Simone: “O IBGE é um órgão autônomo, diferentemente do IPEA, que faz análise conjuntural. O IBGE tem um conselho deliberativo formado pelas melhores cabeças do Brasil, ligado a um corpo de técnicos contratados e concursados”.
Haverá risco de acontecer com o IBGE o mesmo que aconteceu com o órgão semelhante da Argentina?
Simone responde: “A comparação desconhece o histórico do IBGE, que passou por presidentes de todos os matizes ideológicos. É não reconhecer a história de Lula. Foram 13 anos de governo do PT e não houve qualquer tipo de denúncia nesse sentido”.
Os liberais, sem falar dos bolsonaristas, sentem-se órfãos de um líder que possa competir com Lula nas eleições de 2026. Se deixasse o governo, Simone (MDB) poderia liderá-los. Mas ela já disse que não vê motivo para fazer isso.