‘Deboche’ e ‘desprezo’: a reação à brincadeira de Gilmar Mendes sobre a ‘derrota’ de Moraes no STF

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Durante eleição simbólica, decano fez piada afirmando que Moraes mandaria investigar colegas que não votaram nele. Políticos, como o deputado cassado Deltan Dallagnol, criticaram postura dos ministros

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Ministros do STF, Gilmar Mendes (à esquerda) e Alexandre de Moraes (à direita)
Ministros do STF, Gilmar Mendes (à esquerda) e Alexandre de Moraes (à direita) — Foto: Nelson Jr./SCO/STF

Por Luísa Marzullo

Uma brincadeira entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, na sessão desta quarta-feira gerou revolta nas redes sociais. Após Moraes não ter sido eleito vice-presidente da Corte, o líder do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fez piada sobre a “derrota”. A cada dois anos, o STF realiza uma eleição simbólica. Tradicionalmente, os ministros mais antigos que ainda não tenha ocupado os principais cargos são apontados. Neste contexto, a vitória de Edson Fachin a presidência de Luis Roberto Barroso já eram tidas como certas, tratando-se de uma formalidade.

Rosa Weber anunciou a vice-presidência de Fachin, aos risos:

— (É porque) A votação não foi no TSE —disse Moraes, também em tom de piada.

Em seguida, Gilmar Mendes brincou:

— Vai colocar esse pessoal no inquérito — a fala faz referência ao inquérito das fake news, relatado por Moraes, que investiga ataques a membros do STF e ficou notabilizado pela sua amplitude.

'Vai colocar esse pessoal no inquérito', brinca Gilmar, após 'derrota' de Moraes na eleiçã
‘Vai colocar esse pessoal no inquérito’, brinca Gilmar, após ‘derrota’ de Moraes na eleição

O clima de descontração no tribunal gerou críticas de políticos como o ex-deputado Deltan Dallagnol (Podemos-PR). “Os ministros fizeram piada sobre inquéritos que numerosos juristas consideram abusivos, que têm promovido censura, prisões ilegais, denúncias ineptas e proibido pessoas de existirem e trabalharem, como nos casos do Monark e do 8 de janeiro”, disse o ex-procurador da operação Lava-Jato.

Entre políticos do Novo, o caso também teve grande repercussão. Candidato à Presidência no ano passado, Felipe D’Ávila, questionou se este mesmo diálogo ocorreria em outro país. Já o deputado Marcel Van Hattem (RS) afirmou que os magistrados agiram com “deboche” e “desprezo”.

“Isso não é postura de ministros da mais alta Corte do país! (…) É uma VERGONHA que o Supremo aja dessa maneira com o Brasil e com a Constituição”, afirmou o parlamentar.

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