Em setembro de 2022, dias antes do primeiro turno das eleições, Bolsonaro participou das comemorações pelo bicentenário da Independência do Brasil e de duas viagens oficiais ao exterior. Tanto o evento em Brasília quanto as viagens foram custeadas com recursos públicos.
No dia 7 de setembro, o então presidente e candidato à reeleição fez um discurso com teor eleitoral após o desfile militar. “O mal que perdurou por quase 14 anos agora deseja voltar. O povo está do nosso lado. A vontade do povo se fará presente no dia 2 de outubro”, disse Bolsonaro. O evento custou cerca de R$ 4 milhões aos cofres públicos.
Pela divulgação de imagens do bicentenário da Independência em sua campanha eleitoral, Bolsonaro e seu vice na chapa, Braga Netto, foram multados em R$ 110 mil. Eles ainda respondem a quatro investigações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por causa do evento.
Além do uso indevido de recursos públicos e reprodução das imagens na campanha, as ações apontam as práticas de desvio de finalidade das comemorações e uso de servidores da União na campanha eleitoral.
Outro caso investigado pelo TCU aconteceu no dia 19 de setembro. O então presidente estava na Inglaterra para o funeral da rainha Elisabeth II.
Da sacada da Embaixada do Brasil em Londres, Bolsonaro discursou para um grupo de apoiadores.
“Essa manifestação de vocês representa o que realmente acontece no Brasil. O momento que teremos de decidir o futuro da nossa nação. Sabemos quem é do outro lado e o que eles querem implantar em nosso Brasil. A nossa bandeira sempre será dessas cores que temos aqui: verde e amarela. Jamais aceitaremos o que eles querem impor”, declarou o então presidente.
“Eu estive no interior de Pernambuco. A aceitação é simplesmente excepcional. Não tem como a gente não ganhar no 1º turno”, disse Bolsonaro ao final do discurso em Londres. A ida do então presidente ao funeral de Elisabeth II teve um custo calculado em R$ 270 mil.
As coligações encabeçadas pelo PT de Lula e pelo União Brasil de Soraya Thronicke acionaram o TSE. Eles pediram a proibição do uso de imagens do evento na campanha de Bolsonaro e foram atendidos pela Corte.
“O candidato Jair Messias Bolsonaro, utilizando-se de sua condição de presidente da República, utiliza a estrutura pública para, no bojo de sua missão diplomática oficial, viajar e fazer comício eleitoral, levando consigo apoiadores e membros do staff da campanha”, alegou a coligação de Lula.
De Londres, Bolsonaro seguiu para Nova York, onde fez o discurso de abertura da 77ª Assembleia Geral das Nações Unidas.
“No meu governo, extirpamos a corrupção sistêmica que existia no país. Somente entre o período de 2003 e 2015, onde a esquerda presidiu o Brasil, o endividamento da Petrobras por má gestão, loteamento político e desvios chegou à casa dos US$ 170 bilhões. O responsável por isso foi condenado em três instâncias por unanimidade”, disse o então presidente, referindo-se a Lula, seu adversário nas eleições de 2022.
Nesse caso, o TSE também proibiu o uso das imagens pela campanha de Bolsonaro.