“Há apreensão dos EUA com o comportamento do Brasil”, diz Pacheco
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Por Guilherme Waltenberg
O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse na 6ª feira (1º.set.2023) que há grande apreensão dos norte-americanos com o comportamento do Brasil na relação com o país e o mundo ocidental.
Segundo Pacheco, há reconhecimento do papel de liderança do Brasil na região da América Latina e também em temas globais, como o meio ambiente.
Mas os passos recentes do governo ligaram o alerta das instituições norte-americanas. O presidente do Senado participou de debate sobre o Brasil no Wilson Center, em Washington (EUA), um think tank dedicado a estudar relações internacionais. A conversa foi realizada na última 4ª feira (31.ago.2023).
“Há grande apreensão dos Estados Unidos com o comportamento do Brasil e como o Brasil deve liderar essa relação com os Estados Unidos. É importante que a liderança seja do Executivo, mas sem a intransigência de ter só o pensamento e a perspectiva do Poder Executivo“, disse durante participação no Lide Brazil Development Forum, que é realizado na capital norte-americana até hoje (2/9).
Pacheco pregou que há, hoje, duas premissas para que o Brasil se desenvolver e ampliar a sua influência global. Eis o que ele elencou:
- Estabilidade política;
- Equilíbrio econômico.
No 1º ponto, disse que a situação hoje é melhor que no passado recente. Foi uma menção velada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele disse que ainda precisa melhorar.
“Não é só o Executivo com hegemonia de pensamento. É preciso ter o Congresso Nacional à mesa com pensamento inclusive diferente do Executivo. E o Poder Judiciário tem a obrigação de ter equilíbrio e aceitar as normas que os Poderes decidirem“, disse.
Já no quesito econômico, Pacheco disse que é necessário conciliar o desenvolvimento econômico com a pauta ambiental. Segundo ele, os sentimentos que devem prevalecer são o equilíbrio entre as duas questões e a modernização das instituições.
“É como na Copa do Mundo [de 2014]. A regra tática mudou completamente. O Brasil vai com o esquema tático de 1970 e perde de 7 a 1 [para a Alemanha]. Não podemos nos desatualizar com relação ao que está acontecendo no mundo em relação à pauta ambiental“, disse.
Sobre o equilíbrio, ele disse que deve haver a possibilidade de explorar petróleo, mineração, e outras atividades que costumam despertar a atenção dos ambientalistas.
“É possível a conciliação da exploração das riquezas nacionais com preservação do meio ambiente? A resposta é sim. Não podemos ter intransigência. Não podemos permitir nem o radicalismo do desenvolvimento econômico voraz e irresponsável nem a intransigência da pauta ambientalista. Esse equilíbrio é muito importante“, afirmou.