Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, partido de Bolsonaro, foi um dos que se manifestaram contrários à intervenção, fosse ela militar ou no âmbito do TSE.
O dirigente se arrependeu, até mesmo, de pedir auditoria nas urnas eletrônicas após a vitória de Lula. O próprio senador Flávio Bolsonaro, em entrevista à coluna em 5 de dezembro, afirmou que a transição para o governo Lula seria pacífica e descartou golpe.
“Muitos em Brasília estavam tentando se proteger de algo que nunca existiu. O presidente Bolsonaro sempre agiu e agirá dentro da Constituição Federal”, afirmou o parlamentar na ocasião.
A declaração foi criticada pela ala radical. E, dias após a entrevista de Flávio, aliados de Bolsonaro voltaram a discutir duas possibilidades para evitar a posse de Lula: intervenção no TSE e invocação do artigo 142 da Constituição Federal, que, na visão de alguns bolsonaristas, seria uma espécie “intervenção militar”.
Bolsonaro não deverá negar a ocorrência de tais reuniões. Afinal, outros aliados na mira da Justiça além de Mauro Cid poderão, pressionados, corroborar a versão do ex-ajudante de ordens.
Contudo, o ex-presidente deverá ponderar que ele próprio nunca teria levado adiante qualquer possibilidade de ruptura democrática. Repetirá, mais uma vez, que “sempre jogou dentro das quatro linhas da Constituição”. E que não é responsável pelo que os outros dizem.
Entre os nomes citados na delação de Mauro Cid está o de Felipe Martins, então assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência. Um dos militares que teriam participado dos encontros é o almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha.