Pós-cirúrgico de Lula pulveriza poder e emperra articulação do governo

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lula bravo

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: 20/03/2023REUTERS/Adriano Machado

por Ana Flávia Castro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é conhecido por seu perfil centralizador e, num governo com dificuldades de relacionamento com um Congresso hostil, a figura do chefe do Executivo se tornou ainda mais relevante para fazer a gestão andar. Como Lula vai passar ao menos três semanas isolado no Palácio da Alvorada enquanto se recupera da cirurgia que fez na sexta (29/9), a tendência é que o governo federal enfrente impasses no decorrer do período.

O poder ficará pulverizado entre vários personagens, e as decisões mais importantes terão de esperar pela recuperação do presidente.

Lula não passou o cargo para seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), e segue como presidente formal, mas ficará impossibilitado de atuar diretamente, sobretudo nesta primeira semana. No período, a “cara” do governo deverá ser dividida por setores, e há boas chances de atritos na equipe do presidente.

A reforma ministerial que oficializou a entrada de PP e Republicanos na Esplanada não garantiu base parlamentar sólida, como já era esperado, e o Centrão continua cobrando Lula por mais espaços em troca de deixar a pauta do governo andar na Câmara e no Senado.

Para além das indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), cujos nomes a serem escolhidos são de total interesse do Legislativo, Lula não decidiu antes da cirurgia se vai entregar o comando da Caixa ao PP de Arthur Lira, presidente da Câmara, e em que termos.

Com isso, mesmo antes da convalescença do presidente, o grupo político de Lira já começou a impor dificuldades para o governo no Legislativo e nada do interesse dos lulistas avançou na última semana.

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