Por THE NEW YORK TIMES

Na quinta-feira (19), o presidente Joe Biden fez um discurso relacionando o conflito entre Israel e o Hamas e a invasão russa da Ucrânia, enquadrando o envolvimento dos Estados Unidos como parte de uma grande estratégia para conter nossos inimigos e rivais. “Quando os terroristas não pagam o preço por seu terror, quando os ditadores não pagam o preço por sua agressão”, declarou ele, “eles continuam avançando”. “O custo e as ameaças para os EUA e o mundo continuam aumentando.”

Falando de forma ampla, Biden está correto. Os EUA têm um forte interesse em impedir que potências rivais redesenhem mapas ou minem seus aliados democráticos. Mas a diferença entre a análise estratégica do presidente e a que tenho tentado oferecer recentemente é dupla: a ausência geral, nas palavras de Biden, de qualquer reconhecimento de compensações difíceis e a ausência específica de qualquer referência à China como uma ameaça potencialmente mais significativa do que a Rússia ou o Irã.

Bandeira vermelha com estrelas amarelas hasteada em frente a um prédio
Bandeira da China vista em Pequim, capital do país – Thomas Peter/Reuters

Essas ausências não são particularmente surpreendentes. É normal que os presidentes americanos digam coisas grandiosas como “não há nada, absolutamente nada além de nossa capacidade” em vez de falar sobre possíveis limites em nossa força. Como não queremos realmente estar em guerra com a China, faz certo sentido evitar associar Pequim a Moscou e Teerã.

Mas a retórica e a política presidenciais estão inevitavelmente ligadas, e a ameaça da China que não existe no discurso de Biden mal existe em seu pedido de financiamento: a administração está pedindo ao Congresso mais de US$ 60 bilhões para a Ucrânia, US$ 14 bilhões para Israel e apenas US$ 2 bilhões para o Indo-Pacífico. Da mesma forma, as lacunas na retórica de um presidente informam as prioridades políticas, pelo menos dentro de sua própria coalizão. Se você não pode falar sobre por que precisamos nos preocupar com o poder chinês ao lado da agressão russa ou iraniana, as pessoas que o ouvem podem presumir que não há nada com que se preocupar.

Então deixe-me explicar por que me preocupo com a China e por que continuo insistindo que uma estratégia de contenção no Pacífico deve ser uma prioridade, mesmo quando outras ameaças parecem mais imediatas.

Comece com o contexto geopolítico. Faz sentido falar sobre China, Irã e Rússia como uma aliança solta tentando minar o poder dos Estados Unidos, mas eles não são um trio de iguais. Apenas a China é um par em potencial dos Estados Unidos, apenas o poder tecnológico e industrial da China pode esperar igualar o nosso, e apenas a China tem capacidade para projetar poder globalmente, além de regionalmente.

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