Mulheres relatam abuso de médico acusado de estupro há mais de 10 anos

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Paulo Augusto Berchielli. foto: reprodução

por Alfredo Henrique

São Paulo — Um inquérito policial e um depoimento colhido pelo site Metrópoles indicam que o médico proctologista Paulo Augusto Berchelli, de 63 anos, acusado de estuprar ao menos seis mulheres dentro de sua clínica em São Paulo, abusava sexualmente de suas pacientes há mais de duas décadas. Ele teve a prisão decretada pela Justiça e se encontra foragido até a publicação desta matéria.

O crime mais antigo atribuído ao médico levantado pela reportagem até o momento ocorreu há 25 anos, segundo relatado pela própria vítima, atualmente com 41 anos (leia mais abaixo). Há também um caso, registrado em boletim de ocorrência há dez anos por uma auxiliar de serviços gerais que já foi arquivado a pedido do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que alegou “insuficiência de provas”.

A vítima relatou em depoimento à Polícia Civil que, na manhã do dia 21 de fevereiro de 2013, foi à clínica de Berchielli (foto em destaque) para buscar os resultados de exames para o tratamento de hemorroida. Para fazer a consulta, a mulher afirmou que o médico pediu para que ela tirasse toda a roupa, o que lhe causou estranhamento. Ela negou.

O médico cirurgião então, ainda segundo a vítima, perguntou se poderia colocar o dedo dentro do ânus da mulher, que se negou. Ele insistiu alegando que ela “não sentiria nada”, além de perguntar se ela já havia feito sexo anal. “É gostoso. É só lubrificar direitinho que não dói nada”, teria dito o médico.

Em imagem colorida dados de médicos no Cremesp - Metrópoles

“Pênis nas nádegas”

Após a negativa da paciente, o cirurgião teria pedido para ela tirar a blusa, para ouvir seus batimentos cardíacos. Ela, mais uma vez, se negou. Por fim, ele teria solicitado que a mulher ficasse de costas para ele, para que ele pudesse auscultar os pulmões dela.

“Em certo momento, o autor encostou o pênis nas nádegas da vítima e se esfregou nela, estando ambos vestidos, dizendo que a vítima precisava mexer para ele conseguir ouvir seus batimentos cardíacos [dela]’”, diz trecho de registro policial.

A mulher se afastou e afirmou à polícia que, após isso, o médico teria colocado as mãos em seus seios. A vítima ainda relatou que, depois de solicitar o atestado médico comprovando sua consulta, Berchielli teria afirmado que só lhe entregaria o documento se ela “desse mais uma mexidinha”.

Ao ser alertado pela vítima de que ela pretendia gritar caso ele não a liberasse, com o documento solicitado, ele entregou o atestado.

Um inquérito policial foi instaurado pela 5ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), na zona leste de São Paulo, para apurar a denúncia. Após a investigação ser encaminhada ao MPSP, o caso foi arquivado.

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