Por que ninguém foi preso quando as metralhadoras do exército foram recuperadas
Metralhadoras furtadas do Exército recuperadas no RJ — Foto: Leslie Leitão/TV Globo
Por Octavio Guedes
O Exército e as polícias de Rio e São Paulo recuperaram 19 das 21 armas furtadas de um arsenal do Exército na Grande São Paulo em 7 de setembro. Duas armas foram encontradas na quarta-feira (1º/11).
Os seis militares suspeitos do furto estão presos. Mas, até agora, ninguém que recebeu os armamentos foi preso. Na semana passada, o portal mostrou que a Polícia Civil do RJ investigava a informação de que ainda havia no estado duas metralhadoras de Barueri e que um fuzil estava sendo vendido. Era a primeira vez que o Exército trabalhava com a hipótese de desvio de fuzis. Anteriormente, só se falava, entre os investigadores, no furto de metralhadoras (as MAGs e as .50).
Uma das hipóteses para que isso não tenha ocorrido é que o tráfico – que, segundo fontes do Exército e da Polícia Civil de São Paulo, iriam para as facções Comando Vermelho e o PCC – tenha avaliado que não valia a pena: as armas, além de antigas, precisavam de manutenção.
Além disso, entretanto, uma eventual manutenção desses equipamentos poderia resultar em reações que dessem mais prejuízos para o tráfico. Por exemplo, um cerco a regiões em que os criminosos operam.
Um indício importante para isso é o Exército havia se preparado para cercar a Rocinha quando oito das 21 metralhadoras apareceram no Rio de Janeiro.
Uma das maiores comunidades cariocas, a Rocinha é um dos principais territórios controlados pelo Comando Vermelho no Rio. Valeria, para a facção, tê-la cercada, pondo em risco a segurança (e os negócios) dos traficantes?
Para lembrar: em 2006, quando dez fuzis e uma pistola foram roubadas do Estabelecimento Central de Transportes do Exército, militares fizeram operações em 11 morros e favelas para localizá-las, e armas foram encontradas sem a necessidade de disparar um tiro.
Volta para 2023. A polícia do Rio confirma que as metralhadoras saíram da Rocinha, mas nega qualquer tipo de facilitação ou acordo com o tráfico. Segundo a Polícia Civil do Rio, foi trabalho de inteligência.
A polícia diz ainda que foi ela quem avisou que ao Exército que as armas estavam sendo negociadas com CV.
Na quarta (1º/11), mais duas metralhadoras e um fuzil – que o Exército ainda não sabe exatamente de onde saiu – foram encontrados no Rio de Janeiro.
O suspeito de estar em posse delas e negociá-las com o CV, Jesser Marques Fidelix, está foragido. As armas foram encontradas no carro dele, que foi abandonado em uma área de mata da Praia da Reserva, no Rio.
Apreensão em São Paulo teve troca de tiros, diz polícia
Além das dez metralhadoras encontradas no Rio de Janeiro, nove foram recuperadas em São Paulo, escondidas em um lamaçal numa área de mata em São Roque, no interior paulista.
Mais uma vez, ninguém foi preso.
Segundo uma fonte, o Exército recebeu uma pista e passou para a cúpula da Polícia Civil de São Paulo, que fez a informação chegar até alguns setores.
A Delegacia Seccional de Carapicuíba, cidade da Grande São Paulo, que estava investigando um caso de tráfico, recebeu uma dica de que haveria algo sobre o caso em São Roque, a pouco mais de 40 km dali.
Policiais da seccional e do 1º Distrito Policial de Carapicuíba foram até o local. Lá, encontraram dois suspeitos, que fugiram após troca de tiros – três tiros atingiram o veículo da polícia, segundo a corporação.
As apreensões até aqui
- 19 de outubro: 4 metralhadoras .50 e outras 4 MAGs, calibre 7.62, foram encontradas em um carro roubado e abandonado em um dos acessos da Gardênia Azul, na Zona Oeste do Rio.
- 25 de outubro: 5 metralhadoras .50 e 4 MAGs escondidas em um lamaçal em São Roque, no interior paulista, foram recuperadas.