Cúpula do Mercosul manifesta ‘preocupação’ com crise Venezuela-Guiana e pede que ações unilaterais sejam evitadas
Bandeiras do Brasil e do Mercosul. Foto: Wikimedia Commons
Por Ricardo Abreu
Países do Mercosul, após reunião de cúpula no Rio de Janeiro na quinta-feira (7), divulgaram declaração na qual manifestam preocupação com a crise entre a Venezuela e a Guiana.
A Venezuela reivindica a região de Essequibo, na Guiana, rica em petróleo e minérios. O governo venezuelano fez um plebiscito no fim de semana sobre o tema. Cerca de metade da população compareceu, e o resultado foi a favor de Essequibo como parte da Venezuela.
Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, fez um pronunciamento após o plebiscito e posou com uma mapa da Venezuela que já considera Essequibo como parte do país. As ações do governo venezuelano geraram temor de instabilidade em todo o continente. O governo brasileiro, por precaução, reforçou a defesa militar na fronteira norte.
Na nota desta quinta, os países do Mercosul pediram que “ações unilaterais” sejam evitadas.
“Os estados partes do Mercosul manifestam sua profunda preocupação com a elevação das tensões entre a República Bolivariana da Venezuela e a República Cooperativa da Guiana”, diz a nota divulgada pelo grupo.
“A América Latina deve ser um território de paz e, no presente caso, trabalhar com todas as ferramentas de sua longa tradição de diálogo. Nesse contexto, alertam sobre ações unilaterais que devem ser evitadas, pois adicionam tensão”, completa o texto.
‘Não precisamos de guerra’
Mais cedo, na quinta-feira (7), em discurso na cúpula, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o continente não precisa de guerra. Lula afirmou também que o Mercosul não pode ficar alheio ao que acontece na fronteira da Venezuela com a Guiana.
“Uma coisa que não queremos aqui na América do Sul é guerra. Não precisamos de guerra, não precisamos de conflito. O que nós precisamos é construir a paz, porque somente com muita paz a gente pode desenvolver os nossos países”, afirmou.