Lula e Múcio se reúnem no Alvorada para tratar do conflito entre Venezuela e Guiana; veja detalhes
José Múcio. Foto: Mariana Costa
por Gabriela Prado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, se reuniram para discutir o imbróglio entre Venezuela e Guiana, na sexta-feira (8), no Palácio do Alvorada, em Brasília.
De acordo com fontes do Ministério da Defesa, o encontro — que durou pouco mais que uma hora — tinha objetivo somente de “monitoramento da situação”. Ou seja, o ministro relatou ao presidente Lula todas as informações referentes à conjuntura militar e política na região.
Antes de chegar à reunião, Múcio falou rapidamente com a imprensa sobre o acompanhamento da tensão entre os dois países sul-americanos.
Estamos atentos para que não sejamos instrumentos de um acidente diplomático que envolve dois vizinhos — José Múcio Monteiro
Na semana passada, o ministro disse que o governo segue atento a eventuais movimentações na fronteira diante da possibilidade que tropas Venezuelanas tentem invadir a Guiana passando pelo território brasileiro.
Lula falou que não vai apoiar nenhuma arbitrariedade, diz Múcio após reunião com o presidente
O ministro da Defesa, José Mucio, disse que o presidente Lula lhe informou que o Brasil não apoiará nenhuma arbitrariedade e que a questão entre Venezuela e Guiana deverá ser resolvida no campo diplomático.
“O presidente estava tranquilo. Disse que o Brasil não apoia nem apoiará nenhum ato de arbitrariedade e que a coisa precisa ser resolvida no campo diplomático”, afirmou.
Múcio disse ainda não ter elementos ainda para dizer se a tensão evoluirá para um conflito armado.
“Eu não sei o que vai acontecer. É uma briga de dois países. Temos que ter cuidado pra não entrar. A comunidade internacional vai cuidar do resto”, disse.
Para ele, cabe à Defesa agora monitorar suas fronteiras.
“O que me cabe agora é cuidar das fronteiras e não há novidade nenhuma nesse sentido por enquanto. Mas acredito que Maduro não irá provocar o Brasil”, disse.
Duas PECs
Além da tensão na fronteira, Lula e Múcio também discutiram duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) que tramitam no Senado e, se aprovadas, vão impactar na atividade e organização das Forças Armadas.
Uma delas é PEC que limita a candidatura de militares da ativa em eleições. A proposta apresentada pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), está pronta para ser votada em plenário. O texto foi negociado entre o Ministério da Defesa, Forças Armadas e governo e já está pronto para ser votado em Plenário.
A outra PEC, apresentada pelo senador Carlos Portinho (PL-RJ), eleva anualmente o orçamento destinado à Defesa nacional, até que se chegue a um valor mínimo equivalente a 2% do Produto Interno Bruto (PIB). A proposta ainda não teve relator designado na Comissão de Constituição e Justiça.