café cafeteira

Foto: Pixabay

O fechamento de cafeterias e a alta dos preços do café no varejo não abalaram a paixão do brasileiro pela bebida durante a pandemia. Segundo estudo do Rabobank que o Valor obteve com exclusividade, a demanda doméstica aumentou 0,5% na safra 2019/20 (outubro-setembro), totalizando 21,1 milhões de sacas, um contraste com o desempenho do consumo global no período, que diminuiu 1,4%, para 162,6 milhões de sacas.

A demanda brasileira acelerou-se na temporada 2020/21, encerrada no mês passado – o crescimento foi de 1,4%, a 21,4 milhões de sacas. Para o ciclo 2021/22, a projeção é de novo aumento, de 0,5%, para 21,5 milhões de sacas.

No Brasil, o consumo de café ocorre principalmente dentro das residências, uma particularidade que impediu que a demanda caísse no país no auge das restrições sanitárias adotadas para combater a covid-19, avalia o banco. Além disso, mudanças nos modelos de negócios ajudaram o setor a contornar as dificuldades logísticas e o fechamento de 14,4% das cafeterias do país.

A rede Starbucks, por exemplo, inaugurou no começo deste ano sua primeira loja drive-thru no Brasil. Em outros casos de adaptação ao novo cenário, donos de cafeterias independentes recorreram às vendas online após o fechamento dos estabelecimentos físicos. Guilherme Morya, analista sênior do Rabobank que assina o estudo, diz que o comércio eletrônico foi crucial para as empresas.

Em 2019, antes da pandemia, as vendas online representavam apenas 8,3% das movimentações do varejo brasileiro, crescendo, em média, 17,3% ao ano até então. No primeiro ano da pandemia, o e-commerce aumentou 65,5% em relação ao ano anterior, passando a deter uma fatia de 14%.

Em meio à crise, surgiram microcafeterias dedicadas a serviços de entrega ou de retirada do café na loja, sem que o consumidor permaneça nela – as redes Mais1 Café e GoCoffee, dois desses casos, venderam dezenas de franquias em 2020. Morya acredita que esse modelo de negócio deve continuar crescendo nos próximos anos.

Os preços do café verde vêm subindo no Brasil e no mundo desde o ano passado, reflexo da demanda firme e também de problemas climáticos, que comprometeram a produção local. Segundo o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), no segundo semestre deste ano, os preços médios da saca dos cafés arábica e robusta subiram 37% e 50%, respectivamente, quando comparados aos do mesmo período de 2020.

Os preços de cafés torrados e moídos vendidos nos supermercados chegaram a cair no segundo semestre em comparação com o mesmo intervalo de 2019, mas voltaram a subir na segunda metade deste ano. Dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA) mostram que o café moído ficou 18% mais caro e que o preço do torrado subiu até 5% nesse período.

Morya salienta que a indústria tem absorvido parte das altas, mas que novos repasses devem ocorrer em breve. “Grandes torrefadores podem repassar menos, dadas as compras avançadas, políticas de hedge e produtos de valor agregado. Os pequenos, por sua vez, trabalham no mercado spot e têm menos opções”, comentou ele no relatório.

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