Lula tratará disputa entre PT e Haddad como cuidou de Henrique Meirelles
Lula e Fernando Haddad. Foto: Ricardo Stuckert/PT
por Tales Faria
Henrique Meirelles foi presidente do Banco Central entre 2003 e 2011. Ou seja, pegou os dois primeiros governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Inicialmente sofreu fortes críticas do PT — e da esquerda em geral — enquanto manteve nas alturas a taxa básica de juros do país.
Até o vice-presidente da República da época, o empresário José Alencar, criticou abertamente o Meirelles. E olha que não havia a independência formal do Banco Central como há hoje. Mas Lula o manteve no cargo até o fim de seu governo.
E Meirelles, assim como o atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, só baixou a taxa de juros quando a situação econômica do país permitiu.
Da mesma forma, Lula considera normal a diferença de opinião sobre economia, que ocorre agora entre a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
E Lula não acha que essa diferença, por si só, atrapalhe o governo.
Por enquanto, a avaliação do Planalto é de que a discussão está dentro dos limites do razoável. E é até salutar para manter a área econômica atenta ao fato de que este é um governo do PT, apesar das alianças à direita com o centrão e algumas forças liberais.
Depois, mais tarde, dependendo do andar da carruagem, é que se vai saber quem vence de fato a disputa.
Meirelles venceu. Ajudou a economia do país e foi reconhecido por Lula. Se a economia agora for bem, com Fernando Haddad à frente, o ministro poderá até sair com as bençãos de Lula para ser um futuro candidato a presidente da República.
Se a economia não for bem, Haddad teve sua chance e Lula procurará outro caminho.
Simples assim.