Anderson Torres dirigia Pajero monitorada pela Abin a mando de Ramagem

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Anderson Torres. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

por Guilherme Amado

Anderson Torres, então secretário de Segurança do Distrito Federal, dirigia a Pajero Full que foi monitorada ilegalmente pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em 2019. A espionagem foi uma ordem expressa de Alexandre Ramagem, que, à época, chefiava a Abin.

Um dos documentos contém uma mensagem de WhatsApp atribuída a Ramagem com a ordem para agentes da Abin descobrirem quem era o motorista da Pajero Full que foi a um jantar na Residência Oficial da Presidência da Câmara, ocupada por Rodrigo Maia no primeiro ano do governo Bolsonaro. Outro arquivo, com os resultados da espionagem, aponta que Torres conduzia o veículo.

Alvos do monitoramento ilegal disseram suspeitar que o jantar ocorreu em outubro de 2019, em meio à disputa que Bolsonaro travava com Luciano Bivar para assumir o comando do PSL. Na ocasião, lideranças do partido foram à casa de Maia para discutir a possibilidade de fundi-lo ao DEM.

Também estava em curso uma “guerra de listas” para definir quem seria o líder do PSL na Câmara. Bolsonaro ganhou a queda de braço com os dissidentes e emplacou Eduardo Bolsonaro no posto.

A jornalista Ana Flor revelou, na quinta-feira (25/1), que a Abin monitorou ilegalmente as pessoas que se relacionavam com os filhos de Bolsonaro. Torres era muito próximo a Eduardo Bolsonaro e mantinha amizade com o senador Flávio Bolsonaro, mas pertencia a uma ala da Polícia Federal que divergia do grupo de Ramagem na corporação. O ex-diretor da Abin tinha contato mais próximo com Carlos Bolsonaro.

Durante o período em que esteve à frente da Secretaria de Segurança do DF, Torres foi um crítico da gestão de Sergio Moro no Ministério da Justiça. Ele manifestava contrariedade com a transferência do chefe do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, para o presídio federal de Brasília e reclamava que Moro não se reunia com os secretários estaduais. Torres assumiu o comando do ministério em abril de 2021, após a ida de André Mendonça para o STF e o rompimento de Moro com o bolsonarismo.

A defesa de Torres disse que “não tem conhecimento destes fatos oficialmente” e que, “se necessário, oportunamente se manifestará nos autos”.

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