Israel diz que fala de Lula comparando Gaza a Holocausto é vergonhosa e convoca embaixador

0
image (22)

Lula. Foto: Reuters

por Renato Machado e Marília Miragaia

O ministro israelense das Relações Exteriores, Israel Katz, disse no domingo (18) ter ordenado a convocação do embaixador do Brasil em Tel Aviv para uma “chamada de reprimenda” após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comparar as ações do país na Faixa de Gaza ao extermínio conduzido por Adolf Hitler, no qual 6 milhões de judeus foram mortos de forma sistemática durante o Holocausto.

“As palavras do presidente do Brasil são vergonhosas e graves. Ninguém prejudicará o direito de Israel de se defender. Ordenei ao pessoal do meu gabinete que convoque o embaixador brasileiro para uma chamada de reprimenda”, afirmou Katz.

Binyamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, também se manifestou na plataforma X, endossando a convocação. “As palavras do presidente do Brasil são vergonhosas e graves. Isso torna trivial o Holocausto e prejudica o povo judeu e o direito de Israel de se defender. Comparar Israel ao Holocausto nazista e a Hitler é cruzar a linha vermelha”, escreveu.

Post de Netanyahu reage à fala de Lula comparando guerra em Gaza ao Holocausto — Foto: Reprodução/GloboNews
Post de Netanyahu reage à fala de Lula comparando guerra em Gaza ao Holocausto — Foto: Reprodução/GloboNews

Sem mencionar o nome de Lula, o presidente de Israel, Isaac Herzog, publicou mensagem na mesma rede social condenando a “distorção imoral da história” e dizendo que as forças de segurança de Tel Aviv encontraram na Faixa de Gaza um livro que elogiava a ideologia de Hitler e o Holocausto.

“Soldados israelenses lutam contra uma organização terrorista que tem como objetivo declarado a aniquilação do Estado judeu e que defende a supressão de outras religiões e comunidades, como a da LGBTQIA+, e ainda mantém de forma brutal 134 bebês, mulheres e homens como reféns em cativeiro em Gaza”, diz a mensagem.

“No entanto, ainda existem líderes que acusam o Estado do povo judeu de reproduzir a maldade dos feitos de Hitler”, continua o texto.

O ministro da Defesa israelense foi mais um a criticar o governo brasileiro. “Acusar Israel de cometer um Holocausto é ultrajante e abominável. O Brasil esteve ao lado de Israel por anos. O presidente Lula apoia uma organização terrorista genocida, o Hamas, e ao fazer isso envergonha seu povo e viola os valores do mundo livre”, disse Yoav Gallant também por meio da plataforma X.

Ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant — Foto: Reprodução/ GloboNews
Ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant — Foto: Reprodução/ GloboNews

Da África, Lula disse no domingo (18) que as ações militares de Israel em Gaza configuram um genocídio e mencionou o líder nazista. “Sabe, o que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino, não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”, afirmou o presidente.

A declaração foi feita durante entrevista no hotel em que ficou hospedado em Adis Abeba, a capital da Etiópia. Lula cumpriu no domingo (18) o seu último dia de compromissos oficiais em sua viagem ao continente africano e embarcou de volta ao Brasil por volta de 13h no horário local (7h no horário de Brasília).

O comentário provocou indignação também em organizações que atuam no Brasil. A Conib (Confederação Israelita do Brasil) disse que o governo Lula “abandona a tradição de equilíbrio e a busca de diálogo da política externa brasileira”. “O governo brasileiro vem adotando uma postura desequilibrada em relação ao trágico conflito no Oriente Médio”, disse a entidade em comunicado. “A Conib pede mais uma vez moderação aos nossos dirigentes.”

Em nota, a Federação Israelita do Estado de São Paulo também lamentou a fala do presidente. “Comparar a legítima defesa do Estado de Israel contra um grupo terrorista que não mede esforços para assassinar israelenses e judeus com a indústria da morte de Hitler é de uma maldade sem fim”, diz o comunicado.

O Holocausto foi o assassinato sistemático de seis milhões de homens, mulheres e crianças, a maior parte judeus, realizado pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Outras minorias, como ciganos, também foram vítimas do nazismo.

Na Etiópia, Lula discursou na sessão de abertura da cúpula da União Africana, teve eventos oficiais com o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, e uma série de reuniões bilaterais com líderes do continente.

A situação na Faixa de Gaza foi o principal tema da viagem de cinco dias de Lula, primeiro ao Egito e depois a Adis Abeba. No entanto, o próprio presidente minimizou o seu poder de influenciar a situação para que as partes estabeleçam um cessar-fogo.

O presidente antes esteve no Cairo, onde se encontrou com o ditador egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, e também discursou na Liga Árabe, além de realizar turismo nas pirâmides ao lado da primeira-dama Janja.

Na quinta (15), ao lado do ditador Abdel Fattah al-Sisi, o presidente brasileiro já havia criticado Israel pela resposta desproporcional após ser atacado pelo grupo terrorista Hamas.

“O Conselho de Segurança não pode fazer nada na guerra entre Israel e [o Hamas na] Faixa de Gaza. A única coisa que se pode fazer é pedir paz pela imprensa, mas me parece que Israel tem a primazia de não cumprir nenhuma decisão emanada da direção das Nações Unidas”, afirmou o presidente.

About Author

Compartilhar

Deixe um comentário...