Veto a PL da saidinha de presos divide governo Lula
Prédio do Congresso Nacional, em Brasília. Foto: Reuters
Por Guilherme Balza
Há uma divisão no entorno de Lula (PT) sobre o que fazer com o PL da saidinha de presos, aprovado na terça-feira (20) pelo Senado. O governo vai tentar ganhar tempo na Câmara, mas dificilmente os deputados vão colocar qualquer obstáculo à aprovação do PL na casa, que já havia sido aprovado na Câmara com um conteúdo ainda mais duro.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, ainda não conversou com o Lula sobre o veto, mas é frontalmente contrário à medida, que vai contra toda a atuação dele na magistratura. É a mesma posição do ministro Silvio Almeida, ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Uma ala do governo, mais pragmática, defende que Lula não vete o texto, ou faça no máximo vetos pontuais e cirúrgicos, para não arcar com o custo político. Em outras palavras, daria muita munição à oposição bolsonarista, que irá dizer que Lula vetou uma lei para beneficiar criminosos.
A avaliação da ala pragmática é que o governo está na defensiva em pautas desse tipo por uma questão mais geral, a falta de um discurso para a segurança pública, e outra mais específica, a fuga de dois presos de presídio federal em Mossoró.
O mesmo pragmatismo fez o governo mudar o entendimento sobre o PL e liberar os senadores a votar como quisessem. Apenas dois votaram contra.