Moro diz não temer julgamento no CNJ: ‘meu trabalho foi marcante’
Sérgio Moro. © Dênis Ferreira Neto/Estadão
“Não tenho medo, eu fui juiz da operação Lava Jato, a gente desmontou o maior esquema de corrupção da história desse país”, disse Moro.
O CNJ analisará relatório do corregedor Nacional, Luís Felipe Salomão, que em documento parcial, em setembro do ano passado, apontou “gestão caótica” dos recursos arrecadados em função de acordos e condenações da Lava Jato. A avaliação tem como base auditoria feita na 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná e no Tribunal Regional Federal da Quarta Região.
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, marcou para a próxima terça-feira (16) o julgamento do relatório final da correição feita pelo CNJ na Operação Lava Jato, anteriormente comandada por Moro.
Barroso, que acumula a presidência do CNJ, aguardou a conclusão do julgamento no TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná) que analisou possível abuso de poder econômico na campanha que elegeu Moro ao Senado. Por 5 votos a 2, a corte eleitoral livrou o senador da cassação.
Questionado por que procurou o ministro Gilmar Mendes – crítico da operação Lava Jato – antes do julgamento, o senador disse que não foi “pedir nada” e sim “estabelecer diálogo”.
“Nós conversamos, foi uma conversa acalorada, não vou entrar em detalhes, mas tudo que o ministro me falou teve suas respostas. A ideia é a gente olhar para frente.”
Como ficará conhecido
Questionado sobre o fato de ter sido ministro do governo Jair Bolsonaro (PL) depois de abandonar a magistratura e de ter optado pela carreira política, Moro falou que não era para se discutir apenas o passado “porque o presente reclama a nossa atenção”. “E o que a gente está vendo é que o Brasil não vai numa boa direção”, diz Sergio Moro.
O senador exaltou a Lava Jato ao responder como acredita que ficará marcado na história recente do Brasil.
“Em um país que tem muita dificuldade com a corrupção e com a impunidade da corrupção, meu trabalho foi marcante no sentido que tivemos dois momentos no Brasil, entre 2014 e 2018, em que rompemos com essa tradição de corrupção desenfreada e impunidade escancarada”.
Moro diz que presidência do TSE é irrelevante para seu julgamento
Alexandre de Moraes, hoje presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), será substituído em junho por Carmen Lúcia. Questionado se a defesa de Moro tem como estratégia aguardar a troca, ele negou.
“Para mim é indiferente. A estratégia da nossa defesa nunca foi retardar o processo”.
Os denunciantes e a Procuradoria Regional Eleitoral podem recorrer da decisão no próprio TRE e ainda no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Nós aguardamos o julgamento do TSE, assim como aguardaremos se houver recurso do TSE, com serenidade. Não existe nenhum desespero, não”, afirmou o senador.
TRE-PR decidiu não cassar mandato do senador
Na terça (9), por cinco votos a dois, os desembargadores do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) decidiram contra a cassação do mandato do senador Sergio Moro, em Curitiba.
As duas Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJEs) que pediam a cassação do mandato de Sergio Moro argumentavam que durante a pré-campanha de Moro para a Presidência da República ele cometeu abuso de poder político indevido dos meios de comunicação e obteve vantagem indevida em relação aos outros candidatos que disputaram a campanha ao Senado.