Operação investiga supostas fraudes na soltura de membros de facções, na PB; advogado e diretor de presídio foram presos
Operação investiga supostas fraudes na liberação de membros de facções criminosas presos na Paraíba — Foto: Polícia Civil/Divulgação
Uma operação conjunta deflagrada na quinta-feira (25) investiga um suposto esquema de corrupção no sistema prisional da Paraíba. Segundo a Polícia Civil, as investigações apontam que uma organização criminosa liberou detentos, que são membros de facções criminosas, de forma ilegal a partir da manipulação de procedimentos administrativos. Um diretor da unidade prisional de Cajazeiras, identificado como Tales Almeida, foi preso.
A operação identificou que esse grupo criminoso alegava doenças sem justificativa ou com documentação falsa para conseguir a liberação temporária ou definitiva de presos. Os suspeitos também conseguiam reduções fraudulentas de penas, baseadas em atividades educacionais e de trabalho supostamente realizadas pelos apenados.
Conforme a polícia, há a suspeita de que essas atividades usadas como justificativa não tenham acontecido ou tenham sido notificadas de forma exagerada em registros prisionais. Dessa forma, os processos de progressão de regime eram acelerados indevidamente, resultando na liberdade e também em outros benefícios para os detentos.
Um advogado, identificado como Ênio Alvios, também foi preso na operação. Em nota, a OAB-PB afirmou que tomou conhecimento do caso e designou um advogado para acompanhar o suspeito. A defesa do advogado afirmou à TV Paraíba que não vai se pronunciar sobre o caso porque não teve acesso aos detalhes da investigação.
A defesa de Tales Almeida igualmente afirmou que não deve se manifestar publicamente porque não teve acesso aos autos do processo.

Em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP-PB) informou que, após receber informações sobre possíveis irregularidades no presídio de Cajazeiras, iniciou uma apuração preliminar e comunicou o Ministério Público e a Polícia Civil sobre o caso. Garantiu também que o diretor preso foi exonerado e será substituído por um interino.
Ao todo, cinco mandados de busca e apreensão foram expedidos para Cajazeiras, São José de Piranhas e Marizópolis.
Foram mobilizados 70 agentes para a operação. Cerca de 22 integrantes do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (GAECO-PB), 26 da Polícia Civil e 16 da Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP-PB) e ainda apoio da Polícia Militar da Paraíba.