Advogado de Gilmar Mendes terá dificuldades em eleição na OEA
Rodrigo Mudrovitsch. Foto: Divulgação
Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro por influência do ministro Gilmar Mendes, o advogado Rodrigo Mudrovitsch (foto) enfrenta alguns obstáculos para conseguir uma das vagas de juiz na Corte Interamericana de Direitos Humanos. A eleição ocorre no próximo dia 12, durante a Assembleia-Geral da Organização dos Estados Americanos, a OEA, na Guatemala.
Além do desprestígio internacional do atual governo, em especial nas áreas ambiental e de direitos humanos, há uma pressão nos bastidores para que haja mais mulheres na composição da corte, formada por sete juízes. Atualmente, há apenas uma, da Costa Rica. Mudrovitsch concorre, com outros seis candidatos, a quatro vagas. Cinco postulantes são mulheres.
O advogado defende Gilmar em processos que o ministro do Supremo Tribunal Federal moveu contra jornalistas e investigadores. Em dezembro do ano passado, ele foi indicado por Bolsonaro para compor a corte que analisa casos de violação dos direitos humanos em países signatários da Convenção Americana. O mandato é de seis anos.
Uma das credenciais destacadas pelo governo Bolsonaro para indicar o advogado ao cargo e dar a ele um passaporte diplomático é a sua atuação como professor do Instituto Brasiliense de Direito Público, o IDP, fundado por Gilmar. O advogado se destacou atuando na defesa de grandes alvos da Lava Jato, como o empresário Eike Batista, e se especializou em Direito Constitucional.
Para fazer campanha, em setembro Mudrovitsch integrou, a convite do Itamaraty, a comitiva presidencial que foi a Nova York participar da Assembleia Geral da ONU. Dois meses antes, o advogado já havia acompanhado o vice-presidente Hamilton Mourão na posse do presidente socialista do Peru, Pedro Castilho, para conversar com autoridades dos países que participam da OEA.