TSE volta atrás e decide enviar observadores para a eleição da Venezuela
Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Imagem: Antonio Augusto/Secom/TSE
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) voltou atrás e agora decidiu enviar dois observadores para a eleição presidencial na Venezuela.
O pleito na Venezuela está marcado para o dia 28 de julho.
Inicialmente, em junho, o tribunal havia se manifestado por meio de nota dizendo que não enviaria ninguém.
Agora, mandou um ofício ao Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) dizendo que, sim, vai enviar observadores para a Venezuela.
O Itamaraty encara como positiva a medida, e mostra que o Estado brasileiro como um todo está atento ao processo.
A eleição venezuelana é cercada de polêmica. A oposição acusa o atual presidente, Nicolás Maduro, de ser um ditador. Maduro foi alçado à presidência após a morte de seu padrinho político, o ex-presidente Hugo Chávez, em 2013. Desde então, está no poder.
Ele venceu as eleições presidenciais de 2013 e foi reeleito nas eleições presidenciais de 2018. Pleitos que, segundo a oposição e também segundo organismos internacionais, não foram transparentes nem obedeceram todos os padrões de lisura eleitoral.
Quando, em junho, o TSE havia dito que não enviaria observadores, a decisão vinha na esteira um recrudescimento das autoridades venezuelanas em relação a monitores internacionais na eleição.
O país havia revogado o convite para que a União Europeia enviasse observadores internacionais para as eleições presidenciais.
As eleições são organizadas pelo Conselho Nacional Eleitoral, controlado, na prática, por Maduro.
Brasil se preocupa
O Brasil dá especial atenção à eleição da Venezuela. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao contrário do antecessor, Jair Bolsonaro, é um interlocutor de Maduro.
Lula busca integrar a Venezuela ao continente, em vez de deixá-la apartada. Para isso, o presidente gostaria que a eleição fosse democrática e transparente. Mas atitudes de Maduro já decepcionaram o governo brasileiro.
O comitê eleitoral venezuelano tirou da disputa duas opositoras: Maria Corina Machado, desqualificada pela Controladoria da Venezuela, e Corina Yoris, que não conseguiu ao acessar o sistema automatizado do CNE por razões não especificadas.
Isso foi lido pelo Brasil e pela comunidade internacional como um indicador de interferência política no pleito.
A diplomacia brasileiro vem lembrando a Venezuela a cumprir o Acordo de Barbados.
O acordo foi feito entre o governo venezuelano e a oposição, com a mediação da Noruega. É parte dos esforços para resolver a crise política na Venezuela. As negociações em Barbados ocorreram em 2019, com o objetivo de encontrar uma solução pacífica e democrática para os conflitos no país.
Os principais pontos de discussão incluíram a realização de novas eleições livres e justas, o levantamento de sanções internacionais, e o estabelecimento de condições que garantissem a participação equitativa de todas as partes envolvidas no processo político.