Eleições na Venezuela: ‘Tudo funciona lá’, diz único parlamentar brasileiro autorizado por Maduro

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Chico Rodrigues — Foto: Adriano Machado/ Reuters

Único parlamentar brasileiro autorizado pela ditadura de Nicolás Maduro a acompanhar o pleito deste domingo (28), o senador Chico Rodrigues (PSB-RR) viaja com despesas pagas pelo governo da Venezuela. Segundo ele, no país “tudo funciona”, do Judiciário à economia.

“Não posso julgar o regime deles, porque não vivo lá. Na verdade, tudo funciona – o Judiciário, a economia, as instituições funcionam. A oposição reclama da falta de liberdade, alguns falam em comunismo. Sou contra esse conceito. Acho que o regime luta para permanecer no comando do país”, disse Rodrigues.

O parlamentar é presidente do Grupo Parlamentar Brasil – Venezuela do Senado e estreitou relações com o regime de Maduro por ser de Roraima, que vende para o país vizinho 62,4% de suas exportações. Do US$ 1,5 bilhão exportado por Roraima nos últimos cinco anos – especialmente produtos alimentícios, como arroz, feijão, soja e milho – US$ 937 milhões foram para a Venezuela.

Ex-vice-líder do governo Bolsonaro no Senado, Chico Rodrigues hoje está filiado ao PSB e faz parte da base do governo Lula. Ele se tornou conhecido nacionalmente em 2020 ao ser flagrado com R$ 33.150 em dinheiro na cueca em uma operação da Polícia Federal que investigava desvios em verba para combate à pandemia de Covid-19. O convite para acompanhar as eleições na Venezuela veio do próprio partido de Nicolas Maduro, na semana passada.

É um tratamento radicalmente diferente ao que foi conferido por Caracas ao presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, deputado federal Lucas Redecker (PSDB-RS).

O tucano tentou – sem sucesso – garantir a ida de uma missão de parlamentares brasileiros à Venezuela para acompanhar a eleição. O grupo de deputados que faz oposição ao governo Lula foi convidado pela oposição ao regime de Maduro, mas acabou barrado pelo ditador.

O senador embarca nesta quinta-feira à noite de Brasília para a Cidade do Panamá, e de lá segue para Caracas, onde deve permanecer até segunda-feira para acompanhar a realização das eleições no próximo dia 28, que prometem ser conturbadas.

Maduro afirmou na semana passada que o país pode enfrentar “banho de sangue” e mergulhar numa “guerra civil” caso ele não seja reeleito. O candidato da oposição, Edmundo Gonzalez, está na liderança das pesquisas de opinião.

Depois que Lula se declarou “assustado” com a postura do venezuelano e disse que ele precisa aprender a respeitar o resultado das eleições, o ditador disse que “quem se assustou que tome um chá de camomila” – e disparou até contra as urnas eletrônicas, ao afirmar que as autoridades brasileiras “não auditam nenhum registro” do sistema eleitoral, o que não é verdade.

Sobre as declarações do líder chavista, Rodrigues se esquiva: “Eu não posso analisar, não sei em qual contexto o presidente Maduro falou isso. Eu acredito que o presidente não poderia ser capaz de imaginar uma situação dessas. Nenhum país do mundo, num regime mais duro que seja, não pensa nisso. A política é a convivência dos contrários, e não a exclusão dos contrários.”

Segundo Rodrigues, na sexta-feira à tarde o CNE vai dar orientações de como vai ser a atuação dele no acompanhamento das eleições. Rodrigues chegou a protocolar na última terça-feira (23) um requerimento avisando o Senado que ia acompanhar as eleições presidenciais venezuelanas junto a outros observadores internacionais e que estaria ausente do Brasil de 26 a 29 de julho.

“Não vou para passear. Espero que na programação conste a verificação do deslocamento de eleitores, ida a seções eleitorais, o acompanhamento da condução de todo o processo”, diz Rodrigues, que já acompanhou as eleições no Cazaquistão em 2019 e na própria Venezuela, onde viu a reeleição de Hugo Chávez, em 2000.

“Os relatos que tenho recebido são da imprensa, o mundo inteiro sabe das dificuldades dessa eleição e da disputa entre o governo e a oposição. Como o presidente Maduro está há muitos anos no poder, a oposição quer entrar. Quem tá dentro não quer sair, quem tá fora quer entrar, essas dificuldades são inerentes à expectativa de cada grupo”, afirma ele.

“Independentemente de qual seja o resultado, que os dois lados reconheçam o resultado expresso pela vontade popular dos venezuelanos.”

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