Lula diz que ‘esperou milagre para que avião não caísse’, após falha técnica no México; comandante da FAB defende compra de nova aeronave presidencial
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na quinta-feira (3) que esperou um “milagre de Deus” para que o avião presidencial que teve um incidente no México esta semana não caísse.
O presidente afirmou que pensou muito sobre a vida durante as cerca de cinco horas em que a aeronave ficou voando em círculos para queimar combustível e ficar mais leve para pousar, na última terça-feira (1º).
“Eu vou dizer a vocês, eu pensei na minha vida porque eu fiquei quatro horas e meia dentro de um avião, sabe, esperando um milagre de Deus para que o avião não caísse. Eu pensei muito na minha vida”, afirmou Lula.
A declaração do presidente foi dada durante uma transmissão ao vivo em uma rede social com o deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP), candidato a prefeito da capital paulista.

Comandante da FAB defende compra de nova aeronave para Lula

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, disse na quinta-feira (3) que não há indicativo até o momento de que um pássaro tenha sido sugado pela turbina do avião presidencial que teve que retornar à Cidade do México após apresentar problemas técnicos.
Damasceno destacou ainda que a atual aeronave usada pelo presidente Lula (PT) tem 20 anos e defendeu a compra de um novo avião.
“Nós não descartamos [que houve] uma ingestão de pássaro. A aeronave tinha acabado de recolher o trem de pouso, é uma altitude que normalmente pode ter ingestão de pássaro, mas não temos nenhuma indicação. Não há sangue, não há pena, não há nada que tenhamos identificado. Ao abrir o motor pode surgir”, disse.
Ele afirmou ainda que o problema detectado pouco depois da decolagem foi uma alta vibração em uma das turbinas. Ele também destacou que os procedimentos adotados pelo piloto e pela tribulação permitiram que o avião pousasse em segurança —Lula trocou de aeronave e seguiu para Brasília.
De acordo com Damasceno, técnicos do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) e da empresa Latam, que auxilia na manutenção de aeronaves oficiais, estão na Cidade do México para fazer uma avaliação da aeronave que apresentou problemas.
Damasceno defendeu a compra de uma nova aeronave por causa da necessidade por mais espaço e autonomia nos deslocamentos do mandatário.
“Pessoalmente eu defendo [a troca]. Esse avião completa agora, no dia 5 de janeiro, 20 anos. Eu era comandante do esquadrão quando recebi o avião”, afirmou.
“O avião é muito seguro, mas tem uma autonomia que nos atende em parte. Um país como o nosso, uma potência mundial, entre as 10 economias do mundo, deve ter uma avião maior. Que mais autonomia, que tenha mais espaço para levar o mandatário do país”.
O comandante disse ainda que o modelo atual usado por Lula não tem o sistema de alijamento, que teria permitido o despejo de combustível para reduzir o peso da aeronave sem a necessidade de voar em círculos durante horas.
O chamado Aerolula teve um problema técnico pouco após decolar, no aeroporto da Cidade do México, na terça-feira (1º). Como não conseguiu se desfazer de parte do combustível, precisou ficar andando praticamente em círculos para esvaziar o tanque para conseguir pousar com segurança. Foram 50 voltas sobre o território mexicano ao longo de quase cinco horas.
Lula depois pousou no Aeroporto Internacional Felipe Ángeles, próximo à Cidade do México. O piloto do avião chegou a declarar urgência nas comunicações com a torre de controle do aeroporto logo após a decolagem.
Após o pouso, a comitiva presidencial embarcou no avião reserva da Presidência e seguiu viagem para Brasília, chegando apenas na manhã da quarta-feira (2). Lula reclamou das condições durante o voo, sem telefone e internet em alguns momentos para se comunicar com o Planalto.