Mundo ainda está longe de se adaptar às calamidades climáticas, alerta ONU
Moradores de La Torre, na região de Valência, tentam limpar casa invadida pela lama na pior tempestade do século na Espanha - Jose Jordan/AFP
A poucos dias do início da conferência do clima COP29, a ONU avaliou, na quinta-feira (7), que o mundo está longe de completar a sua preparação para as calamidades geradas pelas mudanças climáticas.
Os esforços globais para se adaptar à crise climática —desde a construção de barragens à plantação de cultivos resistentes a seca— não acompanharam o aquecimento global, que acelerou a frequência e a intensidade das catástrofes.
O ano de 2024 está prestes a se tornar o mais quente já registrado, anunciou também na quinta-feira (7) o observatório europeu Copernicus. E este será provavelmente o primeiro ano em que o limite de 1,5°C de aquecimento será ultrapassado em relação aos níveis pré-industriais.
“As calamidades climáticas são a nossa nova realidade. E não estamos à altura disso”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, na quinta (7).
“Devemos nos adaptar, agora mesmo”, acrescentou, lembrando a lista de catástrofes climáticas recentes envolvendo enchentes, incêndios e furacões, entre outros.
As últimas inundações devastadoras na Espanha são a mais recente ilustração disso.
No entanto, de acordo com um relatório do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), os fundos públicos internacionais atribuídos aos países mais pobres para medidas de adaptação estão longe de ser suficientes.
Os US$ 28 bilhões gastos em 2022 (R$ 146 bilhões de reais, na cotação da época) não cobrem nem sequer um décimo das necessidades, estimadas entre US$ 215 bilhões e US$ 387 bilhões (de R$ 1,23 trilhão a R$ 2,23 trilhões, na cotação atual) para 2030.
Na COP26, os Estados se comprometeram a dobrar este valor até 2025, para aproximadamente US$ 40 bilhões de dólares anuais (R$ 230 bilhões), masm mesmo assim, a lacuna de financiamento para a adaptação permaneceria enorme” e “não estaria à altura do desafio”, disse o Pnuma.
“Os Estados devem aumentar dramaticamente os seus esforços de adaptação e isso deve começar com um compromisso financeiro na COP29”, que começa na segunda-feira (11) em Baku, sublinhou o Pnuma, fazendo um apelo para que esta questão seja uma prioridade nos debates.
A maior parte dos fundos públicos atribuídos à luta contra a mudança climática destina-se à redução das emissões responsáveis pelo aquecimento global (a chamada mitigação), e não à adaptação às suas consequências, que afetam especialmente os países menos desenvolvidos.
No entanto, lembra Patrick Verkooijen, diretor-geral do Centro Global para Adaptação, “nenhuma nação, nenhuma comunidade está a salvo”.
A ONU destaca ainda que, além de aumentar os fundos, tanto públicos como privados, será necessário reforçar a transferência de tecnologias para melhorar a eficácia das medidas de adaptação, que atualmente “são muitas vezes aleatórias, caras e de curto prazo”.
No futuro, estas medidas deverão também ser “mais adiantadas” e não apenas reativas face a catástrofes.