Biden autoriza Ucrânia a usar armas dos EUA em ataques ao território da Rússia
O ex-presidente dos EUA, Joe Biden, durante encontro com o primeiro-ministro de Israel no Salão Oval da Casa Branca, em 25 de julho de 2024 - Elizabeth Frantz/Reuters
O governo do presidente Joe Biden permitirá que a Ucrânia use armas de longo alcance fornecidas pelos Estados Unidos para atacar o território russo, disseram três pessoas familiarizadas com o assunto no domingo (17). A decisão marca uma reviravolta na política de Washington no conflito entre Ucrânia e Rússia até aqui.
De acordo com essas pessoas, a Ucrânia planeja realizar seus primeiros ataques de longo alcance nos próximos dias. A Casa Branca não comentou o assunto.
A decisão de Washington, tomada dois meses antes da posse do presidente eleito Donald Trump em 20 de janeiro, acontece depois que o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, passou meses pedindo que o Exército da Ucrânia fosse autorizado a usar armas americanas para atingir alvos militares russos distantes da sua fronteira.
O momento da guerra é crítico. Não está claro se Trump reverterá a decisão de Biden quando tomar posse. O republicano tem criticado a ajuda financeira e militar dos EUA à Ucrânia e prometeu acabar rapidamente com a guerra, sem explicar como.
Um porta-voz do presidente eleito não respondeu a um pedido de comentário. Richard Grenell, um de seus conselheiros mais próximos em política externa, no entanto, criticou a decisão. “Aumentando as guerras antes de deixar o cargo”, disse ele, em uma publicação no X.
A mudança ocorre também após o envio de tropas norte-coreanas para atuar nas fronteiras russas, fato que causou alarme em Washington e Kiev.
Os primeiros ataques de longo alcance serão realizados usando os foguetes ATACMS, que têm um alcance de até 190 milhas (306 km), segundo essas pessoas.
A decisão pode ajudar a Ucrânia em um momento em que as forças russas estão avançando em posições importantes no leste ucraniano. A medida pode ainda colocar Kiev em uma posição de negociação mais favorável, caso ocorram novas aberturas para tal.
Do lado russo, uma flexibilização sobre o uso das armas americanas pode implicar em uma escalada significativa do conflito.
O anúncio acontece no mesmo dia em que Kiev acusou a Rússia de realizar seu maior ataque aéreo contra a Ucrânia em quase três meses. Foram 120 mísseis e 90 drones disparados, com ao menos sete mortes e “danos severos” causados ao sistema de energia do país, já bastante danificado pela campanha de bombardeios de Moscou.
Autoridades confirmaram danos à infraestrutura e cortes de energia em cidades como Rivne e Lviv, no oeste, e Dnipropetrovsk e Zaporizhzhia, no sudeste. A Dtek, maior fornecedora privada de energia da Ucrânia, também impôs cortes de energia emergenciais na cidade de Odesa, ao sul.
Zelenski afirmou que o “ataque massivo teve como alvo todas as regiões da Ucrânia”.
Explosões podiam ser ouvidas do centro da capital, Kiev. A Força Aérea da cidade afirmou que destruiu 104 dos 120 mísseis disparados e 42 dos 90 drones lançados pela Rússia. A Ucrânia enfrenta cortes significativos de eletricidade, o que gera temores de um inverno rigoroso.