Assembleia-Geral da ONU reitera apoio à Ucrânia em derrota para Trump; Brasil se abstém

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Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em fevereiro de 2025 - Charly Triballeau - 24.fev.25/AFP

A Assembleia-Geral da ONU reiterou na segunda-feira (24) seu apoio à integridade territorial da Ucrânia e condenou a invasão russa que completa três anos, em uma derrota para os Estados Unidos, que não conseguiram aprovar um texto pedindo uma solução rápida e sem condições.

O breve projeto de resolução do governo de Donald Trump —que deu uma guinada na política externa e se aproximou da Rússia de Vladimir Putin— pedia um “fim rápido” do conflito sem mencionar a integridade territorial da Ucrânia. Foi tão emendado que os EUA acabaram se abstendo de votá-lo nesta segunda.

O texto preparado pela Ucrânia e seus aliados europeus —adotado por 93 votos a favor, 18 contra, incluindo EUA e Rússia, e 65 abstenções—, reitera o “compromisso com a soberania, independência, unidade e integridade territorial da Ucrânia”. Na lista dos que se abstiveram estavam, entre outros, Brasil, Argentina e Cuba.

A resolução destaca também a urgência de acabar com a guerra “neste ano”, repete as exigências anteriores da Assembleia de um cessar-fogo imediato da Rússia contra a Ucrânia e a retirada de suas tropas.

“Nenhum país está seguro se uma agressão é justificada e a vítima é culpada por sua resiliência e desejo de sobreviver”, disse antes da votação Mariana Betsa, vice-ministra ucraniana das Relações Exteriores aos 193 estados da ONU. “Essa guerra nunca foi apenas sobre a Ucrânia. É sobre o direito fundamental de qualquer país existir, escolher seu próprio caminho e viver livre de agressão.”

A votação representa um revés diplomático para a política defendida por Trump para resolver rapidamente o conflito na Ucrânia: negociar diretamente com as autoridades russas e marginalizar o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, a quem o americano chamou de “ditador sem eleições”. E também significa uma vitória para as nações europeias preocupadas com as aberturas dadas pelo governo Trump à Rússia.

O rascunho original dos EUA tinha três parágrafos —lamentando a perda de vidas durante o “conflito Rússia-Ucrânia”, reiterando que o principal propósito da ONU é manter a paz e segurança internacionais e resolver disputas pacificamente, e instando a um fim rápido do conflito e a uma paz duradoura.

Emendas europeias, no entanto, adicionaram referências à invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia e à necessidade de uma paz justa, duradoura e abrangente em conformidade com a Carta fundadora da ONU.

Após as numerosas emendas adotadas, o texto também foi aprovado, por 93 votos a favor, 8 contra e 73 abstenções, incluindo a da delegação dos EUA.

À luz dessas votações no terceiro aniversário da invasão russa, o apoio à Ucrânia caiu consideravelmente desde os 140 votos favoráveis que a primeira resolução da Assembleia-Geral obteve em favor da soberania da Ucrânia —o Conselho de Segurança ficou paralisado pelo poder de veto da Rússia.

A votação do texto americano colocaria os delegados europeus em uma situação difícil. Para ser adotada, uma resolução precisa do voto de pelo menos 9 dos 15 membros do Conselho de Segurança, sem vetos de nenhum dos 5 integrantes permanentes (EUA, Reino Unido, França, Rússia e China).

Portanto, a abstenção de alguns membros da União Europeia (França, Eslovênia, Dinamarca, Grécia) e do Reino Unido não seria suficiente para rejeitá-la.

Um funcionário do Departamento de Estado dos EUA anunciou que o país vetará qualquer emenda.

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