Quem elege os jabutis (Por Felipe Sampaio)
Urna eletrônica - Foto: TSE/Divulgação
Misturar bicho com política é coisa para especialistas, sejam sociólogos ou veterinários. O assunto já foi mais bem retratado em obras como A Revolução dos Bichos, ou mesmo A Fuga das Galinhas.
No entanto, podemos comentar um aspecto ligado às eleições no Brasil. Assim como os jabutis, os candidatos não sobem sozinhos. Alguém os bota lá. Na democracia, o povo elege seus representantes. Opa! Mas, será mesmo?
A essa altura da nossa caminhada republicana não seria absurdo diferenciar quem vota de quem elege seus representantes. É verdade que o povo vota, mas será que seus representantes são os eleitos? E os eleitos, a quem representam? Dito de outra forma, apesar de o povo votar, quem, de fato, elege representantes?
Nesse caso, seria preciso fazer também uma distinção entre votar e eleger. O eleitor, por definição, é o portador de título eleitoral, vai à urna e vota. Mas, quem elege não é apenas quem vota, mas também – e principalmente-, quem patrocina o candidato. Nesse ponto, a nossa democracia fica pelo meio do caminho.
Democracia não se esgota no ato de votar. Tem a ver com o que acontece em seguida. Nos rincões sobrevive a figura do curral eleitoral. O eleitor vai votar, tutelado por poderosos do lugar, que de fato elegem quem lhes interessa, usando o voto de cabresto.