Celso Amorim diz que Trump ‘tomou conta’, mas que liderança de Lula no mundo não está esvaziada

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Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República. — Foto: Reprodução/GloboNews

O ex-chanceler e assessor especial de Lula (PT) Celso Amorim afirma que não apenas o Brasil, mas também países como a França “e todos os que tinham um projeto de paz” para a Ucrânia e a Rússia estão ausentes dos debates sobre o fim do conflito —ao contrário do que ambicionavam.

Ele nega que a liderança de Lula esteja esvaziada no cenário internacional, e afirma que, na verdade, foi o presidente norte-americano, Donald Trump, que “tomou conta de tudo” com suas atitudes surpreendentes.

O diplomata afirma também que a evidência de que o presidente não pisou no freio de assuntos externos é a viagem que fará em maio à Rússia, onde se reunirá com Vladimir Putin, e à China, onde estará com o presidente Xi Jinping.

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Neste momento, a liderança de Lula não está um pouco esvaziada no plano internacional? O Brasil não está ausente dos grandes temas?
Eu acho que a presença do Trump tomou conta de tudo com essas atitudes novas e inesperadas dele.

Não é só o Brasil [que parece ausente]. É o Brasil, a França, são todos os países que tinham um projeto de paz.

Nesta primeira etapa, Trump quebrou o gelo na busca da paz. Quando uma superpotência como os EUA adota uma posição diferente da de quase todos os países do chamado Ocidente, as pedras do jogo têm que se rearrumar.

O Putin está lá conversando com o Trump. Não vamos dar uma de Woody Allen e dizer: “Olha aqui, você tem que me ouvir também”. Mas, na medida em que isso [o diálogo entre EUA, Rússia e Ucrânia] se desenvolva, acho que ele vão precisar de outros países, de mediadores. Vão ter que multilateralizar o processo, até mesmo para evitar os atritos naturais que existem entre Rússia e EUA.

Deixa as coisas evoluírem. No momento adequado, nós vamos ter, sim, um papel.

O presidente Lula tem ainda esse foco internacional?
O presidente está indo [em maio] para a Rússia, onde vai ter uma reunião bilateral com o Putin, e para a China, onde vai se encontrar com Xi Jinping. Está mostrando claramente que o Brasil não está subordinado, não é só o Western Hemisphere. Ele é sul global, ativo, junto com as duas maiores potências do mundo fora os EUA.

Não quer dizer que a gente quer brigar com os EUA, mas estamos mostrando que temos opções. E isso nos ajuda a ter influência em outras questões também.

Eu recebi a informação de que ele foi orientado a dar uma pisada no freio nesses assuntos.
Não por mim. E acho que o presidente não se deixa orientar. Ele é dono da cabeça dele.

 

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