Esquerda faz atos dispersos pelo Brasil contra anistia a Bolsonaro; saiba mais

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Manifestantes de esquerda se concentram para ato que pede a prisão de Jair Bolsonaro, em São Paulo - Eduardo Knapp/Folhapress

No domingo (30/3) e ao longo dos próximos dias, a esquerda tem realizado atos dispersos pelo país, tendo a pauta contra a anistia aos envolvidos com os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 como bandeira principal e defendendo a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A organização da maioria dos atos foi feita pelas entidades que formam as frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular.

Em São Paulo, partidos de esquerda e centrais sindicais se reuniram no domingo (30/3) na praça Oswaldo Cruz, na região da avenida Paulista. Dali, seguiram em caminhada até o antigo Doi–Codi (Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna), principal centro de tortura da ditadura militar na cidade.

Convocada pelo deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) em suas redes sociais, a manifestação reuniu lideranças do PSOL, como o deputado federal Ivan Valente (SP). O Partido dos Trabalhadores (PT) foi representado pelo deputado federal Lindbergh Farias (RJ), líder do partido na Casa, e o deputado estadual Antônio Donato (SP).

Ao público, Boulos disse que será feita articulação para que o projeto de lei da anistia não seja aprovado”. “Anistia é o escambau”, disse.

“Essa semana a gente ficou ouvindo provocação da imprensa, da direita, dizendo que nosso ato ia ser esvaziado”, afirmou Boulos. “Eu digo a vocês sem medo de errar, aqui hoje na avenida Paulista tem mais gente do que o ato golpista em Copacabana”.

A manifestação ocupava o espaço da praça e seu entorno, e tomava uma das duas vias da avenida, no quarteirão entre a praça e a rua Teixeira da Silva, quando o começou a seguir rumo ao Doi-Codi, no Paraíso, zona sul de São Paulo.

Os manifestantes também pediam a retirada do governo de Israel da Faixa de Gaza, e o fim da escala de trabalho 6 X 1.

Houve ainda manifestações a favor do presidente Lula (PT). Participantes faziam o gesto de L ao passar por apoiadores nos prédios.

No Rio de Janeiro, o ato foi marcado para a próxima terça-feira (1°/4), mas entidades realizaram panfletagem e ações com cartazes pela cidade no domingo (30/3).

Membros do MTST (Movimentos dos Trabalhadores Sem-Teto) carioca estenderam sob os Arcos da Lapa uma bandeira com a frase “sem anistia para quem ataca a democracia”.

A bandeira, segundo membros da entidade, foi colocada às 7h do domingo (30/3) e retirada dez minutos depois por policiais militares. Em nota, a PM afirmou que a remoção foi feita por se tratar de um monumento histórico e cultural.

Militantes do PT (Partido dos Trabalhadores) e da UP (Unidade Popular) entregaram panfletos e adesivos contra a anistia na feira da Glória e no parque do Flamengo.

O ato na capital fluminense na próxima terça-feira (1°/4) está marcado para a sede do antigo Dops (Departamento de Ordem Política e Social), no centro, com caminhada em direção ao Clube Militar, na Cinelândia.

A imagem mostra os Arcos da Lapa, um famoso aqueduto localizado no Rio de Janeiro. Em uma das seções dos arcos, há uma faixa preta com letras brancas que diz: 'SEM ANISTIA A QUEM ATACA A DEMOCRACIA'. O céu está claro e há prédios ao fundo.
Faixa contra a anistia aos envolvidos no 8 de janeiro é colocada sob os Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro – Divulgação/Insígnia Filmes e MTST-RJ

Em Belo Horizonte, Minas Gerais, o ato de domingo (30/3) se concentrou na praça da Independência, na avenida Afonso Pena. Os mineiros levaram cartazes com fotografias de desaparecidos e mortos pela ditadura militar e um boneco de pano com o rosto de Bolsonaro colocado entre grades.

Os manifestantes que carregavam as grades usavam máscaras dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes, dois dos que votaram, no dia 26 de março, pelo recebimento da denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) que tornou o ex-presidente réu.

Em Recife, em Pernambuco, o ato de domingo (30/3) ocorreu no parque Treze de Maio, no bairro da Boa Vista e, em Belém, no Pará, a manifestação concentrou estudantes ao redor do Theatro da Paz.

Em Brasília, no domingo (30/3), o ato no Eixão do Lazer teve cartazes contra a anistia e pela memória dos mortos na ditadura, com referências ao filme “Ainda Estou Aqui”. Também houve bandeiras e cartazes a favor da Palestina e de um cessar-fogo na região.

Há atos previstos nesta segunda-feira (31/3) em Niterói, no Rio de Janeiro, Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e Fortaleza.

Na próxima terça (1°/4) estão programadas manifestações nas capitais Aracaju, Campo Grande, Salvador, João Pessoa, Rio de Janeiro, Teresina, São Paulo e Fortaleza.

As frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular programaram 29 mobilizações, em municípios de diversos estados do país, entre sexta (28/3) e terça-feira (1°/4). Já o coletivo de advogados Prerrogativas promoverá um ato nesta segunda-feira (31/3), na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), na capital paulista.

Pelo segundo ano consecutivo, o governo Lula (PT) não realizará atos oficiais em memória da data que marca o golpe militar de 1964.

No ano passado, no aniversário de 60 anos, o presidente orientou os ministérios a não fazerem nem críticas nem cerimônias ligadas ao tema, em uma tentativa de não tensionar a relação com os militares. Em 2024, Lula disse que preferia não ficar “remoendo” sobre o golpe de 1964 porque isso “faz parte do passado” e ele queria “tocar o país para frente”.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania afirmou que a pasta demonstra, por meio de ações, seu compromisso com a democracia, a verdade e a memória da história política do Brasil. Em nota, destacou ações em março sobre o tema.

Entre eles, está o pedido de desculpas da ministra Macaé Evaristo às famílias de mortos e desaparecidos por negligência da União na guarda e identificação de remanescentes da vala de Perus.

 

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