PL diz ter votos para aprovar projeto da anistia e pressiona por votação rápida
Deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), da bancada evangélica - Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
O líder do Partido Liberal (PL), Sóstenes Cavalcante (RJ), diz já contar com apoio suficiente na Câmara dos Deputados para aprovar o projeto de lei que concede anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023.
O deputado pretende intensificar a pressão sobre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), durante a reunião de líderes partidários marcada para a próxima quarta-feira (3). O PL quer que a anistia seja votada na semana de 7 de abril.
De acordo com o levantamento de apoio partidário ao projeto da anistia feito por Sóstenes, o PL teria 309 dos 513 votos a favor do perdão aos condenados.
“Se tudo der certo, nós vamos colocar quórum de PEC [Proposta de Emenda à Constituição] na votação do PL da anistia”, disse Sóstenes.
Para o PL ser aprovado, é necessário que haja presença mínima de 257 deputados e que metade dos votos mais um seja a favor do projeto. A votação acontece em um turno.
Para uma PEC ser aprovada na Câmara, são necessários os votos de 3/5 dos deputados (308), em dois turnos de votação.
O PL afirmou ter o apoio de 80% dos deputados do PSD, 95% do Republicanos e 40% do MDB para aprovar o projeto. Esses três partidos possuem ministros no governo Lula: o MDB tem três ministros (Jader Filho, Renan Filho e Simone Tebet); o PSD também tem três (Carlos Fávaro, Alexandre Silveira e André de Paula); e o Republicanos possui um (Silvio Costa Filho).
Em março, o Progressistas, partido do Centrão crucial para a governabilidade de Lula, se mostrou insatisfeito com a ida de Gleisi Hoffmann para Relações Institucionais e indicou que poderia deixar o governo. De acordo com levantamento de Sóstenes, 90% dos deputados do PP apoiam a anistia.
Na mesma época, o União Brasil estava dividido. A ala de Davi Alcolumbre queria manter os ministérios, enquanto a ala de Ronaldo Caiado (que almeja a presidência em 2026) preferia entregar os cargos. O PL afirmou que 80% dos deputados do União apoiam o perdão aos condenados do 8/1.
Levantamento do PL mostra apoio ao PL da Anistia
| Federação/Partido | Bancada | Apoio % | Votos |
| PL | 92 | 100 | 92 |
| Federação PT – PCdoB – PV | 80 | 0 | 0 |
| UNIÃO | 59 | 80 | 47,2 |
| PP | 49 | 90 | 44,1 |
| Republicanos | 45 | 95 | 42,75 |
| MDB | 44 | 40 | 17,6 |
| PSD | 44 | 80 | 35,2 |
| Federação PSDB – Cidadania | 17 | 60 | 10,2 |
| PDT | 17 | – | 0 |
| PSB | 15 | – | 0 |
| PODE | 15 | 70 | 10,5 |
| Federação PSOL – REDE | 14 | – | 0 |
| AVANTE | 7 | 40 | 2,8 |
| PRD | 5 | 60 | 3 |
| Solidariedade | 5 | – | 0 |
| NOVO | 4 | 100 | 4 |
| Sem Partido (Chiquinho Brasão) | 1 | – | 0 |
| TOTAL | 513 | 309,35 |
No domingo passado (30), uma manifestação convocada por entidades e movimentos de esquerda para protestar contra o PL da anistia registrou baixa adesão em São Paulo.
Segundo a contagem feita pelo Monitor do Debate Político do Cebrap e pela ONG More in Common, o número de manifestantes em São Paulo foi de 6.560, com uma margem de erro de 12%. Já o departamento de Inteligência da Polícia Civil estimou a presença de cerca de 5 mil pessoas.
Situação semelhante ocorreu em outra manifestação, no Rio de Janeiro, em 16 de março, em apoio à anistia e convocada por Bolsonaro.
De acordo com os mesmos pesquisadores, o ato no Rio atingiu 18,3 mil pessoas no seu auge, cerca de três vezes o público de domingo (30). Em um post nas redes sociais, a Polícia Militar afirmou que o ato em Copacabana reuniu 400 mil pessoas. No entanto, levantamento do Datafolha indicou que 30 mil pessoas estiveram presentes na manifestação.
Última cartada de Bolsonaro
Após Jair Bolsonaro (PL) e sete aliados se tornarem réus no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe, bolsonaristas veem o projeto de anistia como uma forma de pressionar a Corte por penas mais brandas aos envolvidos no 8 de janeiro e na tentativa de golpe.
Líderes do centro e do centrão avaliam que há votos suficientes para aprovar a urgência do projeto, mas a decisão de pautar ou não só depende de Motta, que virou alvo da tropa de choque bolsonarista.
É aí que entra a “última cartada” de Bolsonaro.
Os apoiadores do ex-presidente devem intensificar nesta semana a pressão sobre Motta para que a pauta avance e, assim, seja usada como instrumento político. Bolsonaro não busca necessariamente a aprovação final do texto, e a aprovação no Senado não está no horizonte imediato — uma vez que o julgamento do STF deverá ocorrer antes que a matéria avance.
Com isso, o ex-presidente pretende reforçar sua narrativa internacional de que está sendo perseguido judicialmente no Brasil, mostrando que há setores do Legislativo que questionam o processo conduzido pelo STF.