Peru condena ex-presidente Humala a 15 anos de prisão por propina da Odebrecht

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O ex-presidente do Peru Ollanta Humala, condenado a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro - Angela Ponce/15.abr.25/Reuters

A Justiça do Peru condenou na terça-feira (15) o ex-presidente Ollanta Humala e sua esposa a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro no caso de aportes ilegais da empreiteira brasileira Odebrecht e da Venezuela para suas campanhas de 2011 e 2006, respectivamente.

A sentença encerra mais de três anos de audiências contra o ex-líder de centro-esquerda que governou o Peru de 2011 a 2016. Humala, 62, aguardou a sentença final em liberdade.

O ex-presidente cumprirá sua pena em uma base policial construída especialmente para abrigar os líderes presos do Peru. Sua prisão entrará em vigor imediatamente, ainda que o tribunal deverá continuar a ler a sentença completa nos próximos dias. A defesa de Humala afirmou que vai recorrer da decisão.

A Odebrecht, cujo escândalo de subornos e corrupção teve consequências em vários países da América Latina, reconheceu em 2016 que pagou dezenas de milhões de dólares em propinas e doações eleitorais ilegais no Peru desde o início do século 21.

“Não foi provado que entrou dinheiro da Venezuela em 2006, e nunca se corroborou que entrou dinheiro da Odebrecht em 2011”, afirmou o advogado de Humala, Wilfredo Pedraza.

O Ministério Público o acusou de lavagem de ativos por ocultar o recebimento de US$ 3 milhões da Odebrecht para a campanha de 2011 que o levou à Presidência. Nadine Heredia, esposa de Humala, também foi acusada por ser cofundadora da legenda Partido Nacionalista. Ela não compareceu ao julgamento, argumentando motivos de saúde. A juíza Nayko Coronado emitiu ordem de captura contra a ex-primeira-dama, e no início da tarde policiais cercavam sua casa para cumprir a determinação, mas seu paradeiro até então era desconhecido.

Mais tarde, ainda na terça (15), Heredia solicitou asilo na embaixada do Brasil em Lima. A ex-primeira-dama aguarda o salvo conduto do governo peruano para viajar ao Brasil e, em Brasília, o presidente Lula analisa o pedido —é certo que ele concederá o asilo. Ambos os governos já estão em contato para tratar dos trâmites do pedido.

Segundo a acusação, na campanha derrotada de 2006, o casal teria desviado quase US$ 200 mil enviados pelo então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, por meio de uma empresa do país. O Ministério Público havia pedido 20 anos de prisão para Humala e 26 anos para Heredia —ambos também foram acusados de ocultação de fundos por “compras de imóveis com dinheiro da Odebrecht”. O casal nega ter recebido dinheiro de Chávez ou de qualquer empresa brasileira.

No caso da Venezuela, segundo a Promotoria, o dinheiro foi enviado “pelo falecido ex-presidente Hugo Chávez por transferências bancárias com a empresa de investimentos Kayzamak”.

Humala é o segundo de quatro ex-presidentes envolvidos no esquema de corrupção da Odebrecht no Peru. Segundo o Ministério Público, o escândalo também envolveu Alan García (2006-2011), que se suicidou em 2019 antes de ser detido; Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018), ainda sob investigação, e Alejandro Toledo (2001-2006). Toledo foi condenado em 2024 a mais de 20 anos de prisão por receber subornos milionários em troca da concessão de obras em seu governo.

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