PF vetou visita de emissário do papa Francisco a Lula na prisão em 2018; entenda
Juan Grabois era amigo do papa Francisco e foi candidato à Presidência da Argentina nas primárias de 2023 - ALEJANDRO PAGNI/AFP
A Polícia Federal de Curitiba vetou a entrada de um emissário do papa Francisco para visitar Lula na prisão, em junho de 2018.
O petista estava detido havia dois meses, e uma grande comoção mobilizava personalidades mundiais que pediam a sua libertação. Elas diziam que o petista, condenado por corrupção, era na verdade vítima de perseguição política e judicial.
O advogado e ativista argentino Juan Grabois, que era amigo do papa Francisco, foi à Superintendência da PF, onde Lula estava preso, em uma segunda-feira, dia em que eram permitidas visitas religiosas aos detentos.
Integrante, na época, do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, e coordenador do encontro mundial dos movimentos sociais em diálogo com o Papa Francisco, ele levava um terço abençoado pelo papa Francisco para ser entregue a Lula.
O santo padre havia abençoado o terço para ser entregue a Lula em um encontro que teve com Grabois um mês antes, ocasião em que os dois conversaram sobre a situação do petista.
Vetado por policiais na portaria sob o argumento de que não era teólogo nem sacerdote, ele deixou o presente e um bilhete escrito à mão para serem entregues posteriormente a Lula.
“Saio triste por não poder cumprir a missão que me trouxe aqui. Vim trazer uma mensagem do papa ao presidente Lula, mas lamentavelmente servidores públicos decidiram impedir o encontro”, disse Grabois aos jornalistas logo depois de ser barrado.
Grabois é uma personalidade conhecida na Argentina, e chegou a se lançar candidato à Presidência da República em 2023 contra Javier Millei e o candidato peronista, Sergio Massa.
Em vão: ele teve 5,7% dos votos nas eleições primárias, que definem os candidatos de cada partido na corrida presidencial.