Brasil não tinha conhecimento sobre operação para retirada de opositores de Maduro de embaixada e apura episódio

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Opositores venezuelanos asilados na embaixada argentina em Caracas - Leonardo Fernandez Viloria - 1º.ago.24/Reuters

Integrantes da diplomacia brasileira disseram na quarta-feira (7) que o governo não tinha conhecimento e ainda apura detalhes sobre a operação comandada pelos Estados Unidos para retirar opositores de Nicolás Maduro asilados na embaixada da Argentina em Caracas, capital da Venezuela.

Segundo relatos de diplomatas, há diferentes versões sobre o que teria acontecido e, diante disso, o governo Lula busca mais informações sobre o episódio.

Como o governo do presidente argentino Javier Milei — a exemplo de outros países, organismos multilaterais e líderes internacionais — não reconheceu a vitória de Nicolás Maduro nas eleições do ano passado, a Venezuela expulsou os diplomatas argentinos de Caracas.

➡️Com isso, o Brasil assumiu a custódia da embaixada da Argentina na Venezuela.

  • 🔎A possibilidade de um país assumir os interesses de outro em determinado território está prevista na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961 e da Convenção de Viena sobre Relações Consulares de 1963.

Na terça (6), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, informou que opositores de Maduro que estavam abrigados na embaixada da Argentina em Caracas foram resgatados e levados aos EUA em uma operação que teve a participação do governo americano.

  • 🔎O posto ocupado por Rubio equivale ao de ministro das Relações Exteriores no Brasil.

Questionados se o governo brasileiro sabia da operação previamente e se cooperou com o governo americano, diplomatas disseram à GloboNews, de forma reservada, que o governo brasileiro não tinha conhecimento da cooperação.

Acrescentaram que a “linha de atuação” do Itamaraty “sempre” foi trabalhar para conseguir salvo-condutos a esses opositores de Maduro para que eles fossem buscados como asilados, o que o governo venezuelano nunca concedeu.

“Não estão claras as circunstâncias da saída”, relatou um diplomata, acrescentando que a embaixada está cercada por forças de segurança locais.

O Itamaraty informou que o grupo está em segurança.

Repercussão

Em uma rede social, Marco Rubio publicou uma mensagem comemorando a retirada dos opositores de Maduro da embaixada.

“Os EUA comemoram o resgate bem-sucedido de todos os reféns mantidos pelo regime de Maduro na Embaixada Argentina em Caracas”, disse o secretário de Estado americano.

Além disso, o presidente da Argentina, Javier Milei, comemorou a operação, que chamou de “extração” — indicando que foi feita à revelia do regime de Maduro.

Lula e Maduro

Até então aliados, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Nicolás Maduro estão distantes politicamente, assim como estão distantes as relações diplomáticas entre os dois países.

Lula, a exemplo de outros líderes internacionais, cobrou, e Maduro não gostou, a divulgação das chamadas atas eleitorais, que comprovariam o resultado das eleições presidenciais venezuelanas de 2024.

O Brasil não reconheceu formalmente a vitória de Maduro nem da oposição. O entendimento na diplomacia é que, diante da polêmica sobre as atas, o Brasil deve reconhecer o Estado venezuelano, não um governo em si.

O Conselho Nacional Eleitoral, equivalente ao Tribunal Superior Eleitoral, afirma que Maduro venceu o opositor Edmundo Gonzáles. A Suprema Corte venezuelana também afirma que Maduro venceu e proibiu a divulgação das atas.

Segundo o governo Maduro, as atas, embora não divulgadas, comprovam que ele venceu. A oposição, por outro lado, afirma que, se divulgadas, essas atas comprovariam a vitória de González.

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