Globo acusa Maria Zilda de querer ‘enriquecer ilicitamente’ com processo contra a emissora
Maria Zilda Bethlem: primeira derrota em processo contra a Globo por reprises - Estevam Avellar/Globo
A Globo disse que “beira a má-fé” a ação que Maria Zilda Bethlem abriu na Justiça por causa da venda para terceiros das novelas em que ela atuou e de um suposto pagamento injusto que ela receberia por reprises das mesmas. A empresa afirma que ela recebeu R$ 218 mil entre 2018 e 2024 e afirmou que a atriz quer “enriquecer ilicitamente” com o processo.
As acusações estão em documentos judiciais, que mostram a defesa da Globo na ação movida pela atriz. Procurada para comentar o assunto, Maria Zilda não respondeu aos contatos. A emissora respondeu apenas que não comenta processos em andamento.
Sem novos trabalhos na empresa desde 2016, quando participou de “Êta Mundo Bom”, Maria Zilda exigiu que a Globo apresentasse os contratos à Justiça. A emissora disse que, sempre que solicitada, mostrou sem maiores problemas os contratos e os recibos de pagamentos que fez à atriz, mesmo sem decisão judicial.
Segundo os advogados da empresa, um documento anexado pela atriz no processo, que mostra os valores pagos entre 2018 e 2024, teria sido repassado a ela pelo jurídico da própria emissora. É esse registro, inclusive, que provaria que ela recebeu um total de R$ 218 mil nesse período.
A empresa também avaliou que Maria Zilda faz uma acusação injusta ao afirmar na ação que as obras que participa foram “vendidas para terceiros” sem a autorização dela. A Globo argumentou que isso estava previsto em todos os contratos de trabalho assinados pela atriz.
“Beira a má-fé a afirmação de que as obras audiovisuais teriam sido ‘ilicitamente licenciadas a terceiros’. Afinal, os contratos anexados aos autos confirmam a existência de acordo expresso entre as partes quanto à possibilidade de exibições, reexibições e licenciamentos, sem qualquer limitação”, defendeu a emissora.
A Justiça ainda não anunciou uma previsão de quando irá julgar o processo. O caso corre no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
O LADO DE MARIA ZILDA
Na manifestação inicial da ação, Maria Zilda diz que foi contratada da Globo por 40 anos e que, durante o período em que ficou no ar, não havia uma legislação específica ou algo em contrato que estipulasse um valor para a disponibilização de reprises de TV por assinatura ou streaming. Por causa disso, na visão dela, os direitos conexos ficaram difíceis de calcular.
Outra queixa é que os valores pagos nos últimos anos seriam baixos para a realidade do mercado. Em 2020, durante uma live no Instagram com a colega Maria Padilha, Maria Zilda reclamou publicamente da Globo pelos pagamentos feitos pelas reprises no canal Viva. “Sabe quanto eles me pagaram por toda a novela ‘Selva de Pedra’? Faço questão de dizer: R$ 237,40”, afirmou, referindo-se à novela de 1986 que era exibida na TV paga naquela ocasião.
A ideia da atriz é que sua ação abra precedente para outros atores que reclamaram dos pagamentos nos últimos anos. Nomes como Mateus Solano, Tuca Andrada, Sergio Marone, Nívea Stelmann e até Sônia Braga já se queixaram da Globo pelas quantias pagas pelos direitos conexos de reprises.