Terrazas de Los Andes Parcels: quatro estilos de Malbec e uma só assinatura (da LVMH)

0
vinicola vinho

Vinhedo em Mendoza: altitudes acima de 1.000 metros e viticultura de precisão garantem frescor, leveza e boa fruta

Por Celso Masson

“O que buscamos nesses quatro rótulos não são vinhos perfeitos. São vinhos únicos”. A frase é do enólogo Marcos Fernandes, diretor técnico da vinícola Terrazas de Los Andes, um dos muitos projetos vitivinícolas do conglomerado de luxo LVMH. Nascido e criado em Mendoza, em uma família que já produzia vinho, ele sonhava ser médico. Até que em 1998, com apenas 18 anos, ingressou na Bodega Norton. Em pouco tempo, a medicina deu lugar à enologia e hoje, 23 anos depois, seu currículo inclui a Chandon, Finca Decero, Viñas Doña Paula e um período na Califórnia, com a mentoria de Paul Hobbs. Hoje, cabe a ele explorar ao máximo o potencial da região em que nasceu e de onde saem os melhores Malbecs do mundo. Mais que se beneficiar de um terroir privilegiado como é o de Mendoza para a produção de vinhos, Marcos Fernandes tem elevado os limites do que distintas parcelas podem oferecer.

Prova disso são os excelentes vinhos da linha Terrazas de Los Andes Parcels, que acaba de ser lançada no Brasil com a presença do enólogo e em quantidades limitadíssimas: apenas 400 garrafas de cada uma das quatro versões produzidas até aqui. O preço para o consumidor final (R$ 650), traduz não apenas a exclusividade da como a busca de excelência em todo o processo, incluído a preocupação com a sustentabilidade. “Economizamos até 60% de água com a irrigação de precisão”, disse Fernandes. Os vinhedos são certificados como sustentáveis, sem uso de herbicidas, e o próximo passo é a certificação orgânica. E o cuidado com a água, a terra e os frutos que ela produz se refletem na qualidade desses vinhos únicos.

Terrazas de Los Andes Parcels El Espinillo
O enólogo Marcos Fernandes e o Terrazas de Los Andes Parcels El Espinillo: só 400 garrafas no Brasil, a R$ 650 cada

Plantados entre 1929 e 2012 no Valle de Uco, em altitudes que variam de 1070 metros (Parcel Nº 10W, Los Cerezos, na região de Las Compuertas) a 1600 metros (Parcel Nº 1 E, El Espenillo, em Gualtallary), os vinhedos produzem uvas com características singulares. Todos os vinhos são 100% Malbec, vinificados praticamente da mesma forma, e passam o mesmo tempo em barrica de carvalho francês (1/3 de primeiro uso, 1/3 de segundo e 1/3 de terceiro). Mesmo assim, na taça, cada um tem sua personalidade própria.

Enquanto o de El Espenillo (99 pontos na avaliação de James Suckling) é mais concentrado, com aromas intensos de frutas negras e violetas, o de Los Cerezos (97 pontos, segundo o mesmo crítico), se destaca pela acidez equilibrada, com taninos redondos e notas picantes. Em comum o sabor frutado, mas sem a doçura exagerada de muitos Malbecs. Por serem produzidos em vinhedos de altitudes mais elevadas, eles se revelam mais leves e refinados. Não poderia ser diferente quando a grife por trás de cada vinho é a LVMH.

* Celso Masson, 53, é jornalista, diretor de núcleo da Editora Três, winemaker e palestrante de vinhos. Nos últimos dez anos, vem estudando e acompanhando a produção, os negócios e os prazeres do mundo da enologia. Se formou winemaker após integrar um exigente programa oferecido pela Escola do Vinho Miolo. Já tem três rótulos produzidos em parceria com a inovadora vinícola brasileira.

About Author

Compartilhar

Deixe um comentário...