Moro em Recife:­­ Pés no NE (e a­­ aliança Lula/Sócrates) (Vitor Hugo)

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Sergio Moro. Foto: Agência Senado/Pedro França

Vem de Portugal e de Pernambuco – na pré-campanha às presidenciais de 2022 – dois fatos relevantes nas movimentações preliminares do jogo de poder nacional. No foco dos holofotes o ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, postulante do Podemos, pela Terceira Via, ao Palácio do Planalto, em disputa que se prenuncia eletrizante. No primeiro caso, Moro é o protagonista principal, em razão do sucesso alcançado domingo, dia 5, no Teatro Rio Mar, em Recife, durante lançamento de seu livro autobiográfico, “Contra o Sistema da Corrupção”, que marcou a viagem na qual “Moro pôs os pés no Nordeste”, na definição do jornal espanhol El País; no título da cobertura do evento.

Os fatos sinalizam para incômodos que os movimentos ágeis e surpreendentes do ex-ministro da Justiça causam nos domínios dos adversários principais: no atual dono do poder, Jair Bolsonaro (provocam abalos na saúde, revelados por familiares e assessores próximos, se não for manobra e simples malandragem). No ex, Lula, que lidera as pesquisas mas ainda indeciso para o desafio dos palanques e das ruas, a preocupação é ter seus “espaços sagrados”, principalmente no Nordeste, “invadidos” pelo bolsonarismo e, principalmente por Moro, – sucesso nacionalmente registrado – em sua estada em Pernambuco.

De repente, o contra ataque inesperado. No mesmo dia, na Carta Capital, o artigo, de tons panfletários, do ex-primeiro- ministro de Portugal, José Sócrates, em notória aliança com Lula (velho amigo e colegas de mando) avança contra o símbolo da Lava Jato: “Tudo em Moro é pobre, triste e medíocre”, escreveu o ex- dirigente português na revista brasileira. ”Seu vocabulário é limitado, previsível, e todo o seu discurso se resume ao enfadonho truque de fazer política fingindo detestar a política”, disse, em texto de reduzido conteúdo factual ou de defesa de princípios. Sócrates, o ex-presidiário da Operação Marquês (similar da Lava Jato brasileira), ainda enrascado até o pescoço com a justiça, acusado de crimes fiscais, lavagem de dinheiro e corrupção em seu país. Mas fez travessia ultramarina para fustigar o presidenciável do Podemos.

Enquanto isso Moro recebia, em Recife, homenagens de líder político e partidário, adesões impensáveis de prefeitos e líderes municipais e estaduais, aplausos e gestos de aprovação, estímulo e fé, desde sábado, no apartamento do deputado Ricardo Teobaldo (Podemos) e principalmente no Teatro Rio-Mar, no lançamento de seu livro. Aí o ex-magistrado, com passagem acadêmica na Universidade de Harvard, mostrou atributos pessoais, até então desconhecidos, de político. Como escreveu Flávio Freire, no texto para o El País: “E um canhão de luz foi direcionado a duas cadeiras brancas no meio do palco, uma para ele (Moro), e outra para a jornalista que conduziria a sessão de pergunta s… Moro foi aplaudido de pé por cerca de cinco minutos assim que apareceu de blazer e sem gravata. “Você é lindo, Moro”, gritou uma voz feminina, diante de um ex-juiz sem nenhum traço de timidez e aparentemente mais acostumado com o assédio. Ele riu, esperou a platéia respirar e passou a zanzar de um lado para o outro do palco a fim de conquistar a atenção do público”.

Registro mais, o que ouvi de uma veterana colunista da Rádio Jornal do Comércio: “Um show, um marco”. Ponto.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

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