Governo Lula anuncia acordo entre Mercosul e países europeus durante cúpula em Buenos Aires

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Montagem mostra o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à esquerda, e seu homólogo da Argentina, Javier Milei, à direita - AFP

O Ministério das Relações Exteriores informou na quarta-feira (2) que os países do Mercosul e da Associação Europeia de Live Comércio (EFTA, na sigla em inglês), fecharam um acordo de livre comércio.

O Mercosul abrange Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia. O EFTA, por sua vez, é formado por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça – países europeus que não integram a União Europeia.

A conclusão das negociações foi anunciada em meio à cúpula dos países do Mercosul, que acontece nesta semana em Buenos Aires.

Conforme o Itamaraty, o acordo entre Mercosul e EFTA criará uma zona de livre comércio com quase 300 milhões de pessoas e um PIB combinado de mais de US$ 4,3 trilhões.

“Ambas as partes se beneficiarão de melhoras em acesso a mercado para mais de 97% de suas exportações, o que aumentará o comércio bilateral e beneficiará empresas e cidadãos”, diz o comunicado.

“O Acordo de Livre Comércio criará novas oportunidades de negócios para os agentes econômicos dos países do Mercosul e da EFTA, incluindo o grande número de micro, pequenas e médias empresas existentes em cada jurisdição”, acrescenta.

De acordo com o governo brasileiro, os agentes econômicos dos países do Mercosul e do EFTA “se beneficiarão de maior previsibilidade e segurança jurídica no comércio”.

De acordo com o Itamaraty, as primeiras conversas sobre o tema começaram em 2015, com as negociações iniciando em 2017. Ao todo, diz o governo brasileiro, foram feitas 14 rodadas de negociações.

Ao longo deste ano, ainda conforme o Ministério das Relações Exteriores, o processo de negociação foi “intenso” e precisou de ajustes ao longo do tempo.

“Diante dos avanços obtidos, o Mercosul e os Estados da EFTA compartilham o compromisso de dar os passos necessários para garantir a assinatura do Acordo de Livre Comércio nos próximos meses de 2025”, informou o governo.

Acordo Mercosul-EFTA

Negociado desde 2017, o acordo com o grupo foi concluído em 2019, após dez rodadas de negociações. Ainda havia, contudo, algumas pendências relativas a questões técnicas e, por isso, ainda não havia sido finalizado.

De acordo com a página oficial do Mercosul, o comércio entre o bloco e os países da EFTA gira em torno de US$ 7 bilhões anuais.

Segundo Itamaraty, a estimativa é que o acordo com a associação represente incremento de US$ 5,2 bilhões em 15 anos no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

O acordo envolve temas como serviços, investimentos, compras governamentais, facilitação do comércio e cooperação aduaneira, medidas sanitárias e fitossanitárias, desenvolvimento sustentável e propriedade intelectual.

Acordo Mercosul-União Europeia

Negociado desde 1999, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi concluído 20 anos depois, em 2019, e passou à fase de revisão. Essa etapa só foi concluída em 2024, durante a cúpula do bloco no Uruguai.

Agora, na parte europeia, ainda falta a ratificação no Conselho Europeu e no Parlamento Europeu. Enquanto países como a Espanha se dizem favoráveis ao acordo, há também quem se coloque de forma contrária, a exemplo da França.

Como o Brasil assume a presidência do Mercosul, o presidente Lula tem dito que pretende convencer o presidente francês Emmanuel Macron a aceitar o acordo para que, enfim, o acordo comercial possa entrar em vigor.

Macron, por sua vez, afirma entender que as regras ambientais exigidas dos produtores europeus são mais rígidas que as exigidas dos sul-americanos, o que tornaria o acordo desigual. Diante disso, Lula tem defendido que o negociador francês apresente alguma proposta a ser discutida.

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