Suspeito de atacar 18 ônibus fez posts contra Lula e Moraes e dizia querer mudar o país

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Edson Aparecido Campolongo, que confessou ter atacado ônibus em SP, segundo a polícia - Edson Aparecido no Facebook

O suspeito de realizar ao menos 18 ataques a ônibus na região metropolitana de São Paulo alegou motivação política ao confessar os crimes durante depoimento a agentes do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) de São Bernardo do Campo (SP). Ele foi preso preventivamente –sem prazo fixo para a duração da reclusão– na noite de terça-feira (22/7).

Grandes cidades do estado de São Paulo enfrentam uma onda de vandalismo contra ônibus. Somente na capital paulista o número de coletivos depredados já passou de 500, segundo a SPTrans. A polícia não confirma o número.

Edson Aparecido Campolongo, 68, é motorista concursado da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) há 30 anos e no último ano trabalha para um chefe de gabinete do órgão sob o comando da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Em seu perfil no Facebook, rede em que possui 5,8 mil seguidores, Campolongo fez diversas postagens com críticas ao governo do presidente Lula, ao PT e às decisões do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao ser interrogado, ele ainda teria afirmado que sua intenção era mobilizar pessoas para mudar o país, segundo o delegado Júlio César de Almeida Teixeira, responsável pela investigação. Teixeira também contou que o suspeito negou ser filiado a partido ou organização política e que comentou estar arrependido dos atos.

Procurada, a CDHU informou que não iria se manifestar neste momento. A reportagem não conseguiu contato com a defesa do suspeito.

Para o secretário-executivo de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, não é possível afirmar que o suspeito tenha falado a verdade sobre sua motivação.

Gonçalves e demais autoridades policiais disseram a jornalistas na terça-feira (22/7) não ser possível afirmar que outros atos contra o transporte tenham relação com Campolongo ou as intenções manifestadas por ele.

Uma autoridade que participa das investigações disse, no entanto, que há cuidado em não propagar a motivação política do suspeito para, justamente, evitar que ele alcance seu objetivo de motivar mais pessoas a aderiram às depredações.

O efeito manada, que já estaria em curso, é uma das preocupações das autoridades. Desde que a onda de ataques teve início, em junho, 22 suspeitos foram detidos e, em geral, essas pessoas não apresentaram motivações claras. Isso reforça a tese dos investigadores de que eles estariam imitando ações que viram pelo noticiário.

Campolongo chegou a usar o carro do órgão para o qual trabalhava para praticar parte dos ataques, segundo a investigação, que usou monitoramento por câmeras para chegar ao automóvel. Os ataques ocorriam nos horários de folga do motorista, de acordo com informações preliminares.

Ao ser procurada pelos investigadores, a CDHU colaborou para a identificação e localização do suspeito, de acordo com a polícia.

Campolongo também confessou, ainda segundo a polícia, que teve a ajuda do irmão dele, o desempregado Sérgio Aparecido Campolongo, 56, para realizar alguns dos ataques. A Justiça aceitou o pedido de prisão preventiva de Sérgio, e na noite da terça-feira (22/7) ele foi capturado.

A continuidade da investigação ainda irá confirmar ou não se o suspeito recrutou outros vândalos para promover depredações contra coletivos.

Após ser identificado e intimado, Campolongo compareceu de forma espontânea à delegacia em São Bernardo do Campo, na semana passada.

Há divergências sobre a quantidade de ônibus que os irmãos teriam atacado. Teixeira afirmou que foram 18, mas outros números foram apresentados durante a entrevista coletiva realizada na terça (22/7) na sede da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

Teixeira, que conduziu os interrogatórios, afirmou que Campolongo apresentava dificuldades em contar de forma coerente suas motivações.

Diligências foram realizadas na residência e no local de trabalho do suspeito, o prédio onde funciona a sede da CDHU, no centro histórico da capital paulista.

No armário dele, a polícia encontrou estilingues, que eram munidos com pequenas esferas metálicas.

Em um dos ataques, em São Bernardo do Campo, Campolongo teria utilizado um artefato semelhante a um coquetel molotov, que não resultou em incêndio. Uma perícia ainda irá confirmar ou não se o objeto efetivamente possuía potencial incendiário.

A identificação dos responsáveis por ataques em série não elimina outras linhas de investigação. Disputas sindicais ou entre empresas insatisfeitas com mudanças em contratos de transporte, desafios feitos na internet e até a suposta participação do PCC (Primeiro Comando da Capital) são algumas das possibilidades discutidas pelos órgãos de segurança.

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