Ex-assessor de Bolsonaro enfrenta ‘acusação duvidosa’ por registros falsos de viagens, diz jornal americano

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Ex-assessor internacional da Presidência, Filipe Martins, diz que prisão foi motivada por política

O jornal The Wall Street Journal defendeu em editorial, no domingo (27), que Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro (PL) e um dos réus da trama golpista de 2022, enfrenta “acusação duvidosa” que o levou a ser preso preventivamente no início de 2024.

A publicação dos Estados Unidos diz que o caso de Martins é um dos que precisa ser apurado em razão da ocorrência de registros de viagens falsos no Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês) na Flórida, nos Estados Unidos.

“Um tribunal brasileiro vem usando registros falsos do CBP para deter o sr. Martins por risco de fuga desde março de 2024 na investigação de um suposto golpe de estado de Bolsonaro contra o presidente brasileiro Luiz Inácio ‘Lula’ da Silva”, afirma o editorial. “O sr. Martins deveria estar livre enquanto prepara sua defesa”, pontua.

Atualmente o ex-assessor de Assuntos Internacionais de Bolsonaro enfrenta medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica e proibição de sair do Brasil. Ele foi preso no início de 2024 e solto cerca de 6 meses depois.

No editorial, o jornal também cita o tarifaço de Trump contra o Brasil e fala que a principal reclamação do americano contra o país é a ação penal no STF contra o ex-presidente Bolsonaro em contexto de perigo democrático, na avaliação da publicação. “A deterioração da democracia brasileira é preocupante”, aponta o WSJ.

“Seria melhor que o sr. Trump começasse em casa com uma investigação transparente sobre como registros falsos relativos ao sr. Martins foram publicados em um site do CBP, depois desapareceram e reapareceram. Isso teria o benefício adicional de inocentar o Sr. Martins da acusação de fugir ilegalmente de seu país.”

Martins é hoje réu no STF sob acusação de golpe de Estado, abolição violenta do Estado democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado. Ele compõe o que a PGR (Procuradoria-Geral da República) chamou de núcleo dois da trama golpista, responsável pelo gerenciamento de ações.

O ex-assessor foi preso no início de 2024 após a PF identificar que o nome dele constava na lista de passageiros que embarcariam com destino ao exterior na comitiva presidencial. O documento foi encontrado em mídia do delator Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, conforme narra relatório da corporação.

Com base nisso, o ministro do STF Alexandre de Moraes decretou a prisão de Martins. No dia 14 de julho de 2025, entretanto, o tenente-coronel Mauro Cid afirmou ao Supremo que Martins não constava na lista final de passageiros do voo que levou Jair Bolsonaro aos Estados Unidos depois que o ex-presidente perdeu as eleições.

Há meses a defesa de Martins sustenta que ele não embarcou com Bolsonaro com o objetivo de fugir do país. “Filipe não saiu do Brasil. Usaram uma lista provisória para dizer que ele saiu. Isso é uma prisão ilegal”, diz Jeffrey Chiquini, advogado de Martins.

Bolsonaristas têm usado a narrativa em torno do ex-assessor para reforçar a tese de que a prisão dele foi injusta e contestar o processo da trama golpista no STF. Aliados do ex-presidente intensificaram as publicações em que acusam o Supremo e a PF após a fala de Cid.

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