Vetos de Lula à lei do licenciamento frustram expectativas, diz Frente Parlamentar Ambientalista

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva em evento no Palácio do Itamaraty - Gabriela Biló - 19.fev.25/Folhapress

A Frente Parlamentar Mista Ambientalista, que reúne deputados federais e senadores, avalia que os vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto de lei que enfraquece o licenciamento ambiental ficaram “aquém das expectativas”.

“A decisão do governo representa um freio parcial à ‘boiada'”, diz o grupo em nota. A frente afirma que vetos importantes foram conquistados, como a manutenção do direito à consulta a povos indígenas e quilombolas, a preservação da Lei da Mata Atlântica e a limitação da Licença por Adesão e Compromisso, emitida pelo próprio empreendedor, a obras de baixo impacto.

Por outro lado, o governo apresentou uma medida provisória que estabelece a eficácia imediata da LAE (Licença Ambiental Especial), dispositivo que acelera a autorização para empreendimentos considerados estratégicos. Segundo a frente, trata-se de uma brecha que pode afetar a preservação do meio ambiente.

“A medida acelera o processo de licenciamento, permitindo que obras sejam autorizadas antes da conclusão de análises completas sobre seus riscos, o que, segundo ambientalistas, fragiliza as salvaguardas previstas na legislação e aumenta a possibilidade de danos irreversíveis aos ecossistemas”, afirmam os parlamentares.

A ONG Instituto Internacional Arayara diz que se prepara para questionar a LAE na Justiça. Na visão da organização, a licença pode levar a um aumento de projetos de alto impacto ambiental, especialmente na amazônia.

John Wurdig, gerente de transição energética da ONG, afirma que o novo modelo representa “uma mudança profunda e perigosa” no sistema de licenciamento brasileiro. “Cria-se uma licença por pressão política, mesmo para empreendimentos com estudo de impacto ambiental. Isso desestrutura o processo e viola princípios básicos da administração pública”, diz.

Em apresentação à imprensa na sexta-feira (8), ministérios disseram que a medida provisória mantém a obrigação de seguir as fases do licenciamento na LAE, ao contrário do que previa o projeto de lei —o texto liberava as licenças com apenas uma autorização.

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