Após morte de streamer na França, ex-premiê propõe veto a redes sociais para menores de 15 anos

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O ex-premiê da França, Gabriel Attal, fala durante sessão da Assembleia Nacional, em junho - Julie Sebadelha - 24.jun.25/AFP

O deputado e ex-primeiro-ministro da França Gabriel Attal propôs o bloqueio total de redes sociais a menores de 15 anos, um “toque de recolher digital” dos 15 aos 18 e dois testes de “vício em telas” durante a escolarização. A sugestão vem na esteira da morte, em plena live, do influenciador digital Raphaël Graven, 46, conhecido nas redes como Jean Pormanove ou “JP”,, um caso que chocou a opinião pública nesta semana.

A proposta ganha peso por conta da importância política de Attal, que em 2024 se tornou o mais jovem premiê da história francesa, aos 34 anos. Ele ocupou o cargo durante oito meses, até que o presidente Emmanuel Macron decidiu convocar eleições. Attal é secretário-geral do partido de Macron, o Renascimento, e é pré-candidato à eleição presidencial de 2027.

“Nossos jovens se tornam toxicômanos das redes sociais. Viciados nas imagens que se sucedem, nos discursos para chocar e nos atos mais violentos”, justificou Attal.

Os estudantes seriam submetidos a dois testes para verificar se estão viciados, no 6º e no 10º ano de escolarização. Até os 15 anos de idade, as redes sociais seriam rigorosamente proibidas —proposta semelhante a outra que Macron também já fez.

Dos 15 aos 18, o “toque de recolher” consistiria em uma limitação de horas de acesso, que Attal não detalhou como aconteceria. Outra proposta dele é que transmissões de vídeo passem a ser em preto e branco depois de meia hora. “Menos cores, menos dopamina, menos vício”, alega o ex-premiê. Também seria cobrada uma taxa das plataformas, para financiar programas de combate ao vício digital.

Divulgada na quinta-feira (21), a autópsia do cadáver do streamer conhecido como Jean Pormanove, ou JP, não apontou traumas infligidos por terceiros. Pormanove, 46, apareceu morto na segunda-feira (18), debaixo de um edredom, durante uma live na plataforma Kick.

Novos exames serão feitos para verificar as hipóteses de crise cardíaca, overdose ou esgotamento físico —a live já durava mais de doze dias ininterruptos.

A polícia de Nice, no sul da França, suspeita de dois streamers, conhecidos como Narutovie e Safine, que participavam regularmente das transmissões de Pormanove.

Os três monetizavam lives que usavam os games como pretexto, mas que tinham como atrativo para seus mais de 500 mil assinantes cenas perturbadoras de aparente tortura física e psicológica. Elas eram cometidas ao vivo por Narutovie e Safine contra JP, ex-morador de rua, e outro gamer chamado Coudoux, portador de deficiência física.

Os suspeitos negam ter agredido JP e afirmam que as agressões eram encenadas. Acusada de não moderar devidamente os conteúdos transmitidos por seus usuários, a plataforma Kick baniu os dois.

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