Pai de vítima da Kiss após redução de penas: “Papel de palhaço”. Vídeo
Pai de vítima da Kiss
Após decisão unanime do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), por meio da 1ª Câmara Criminal Especial, pela redução de pena dos quatro condenados pelo incêndio da boate Kiss, em janeiro de 2013, familiares e amigos das vítimas que acompanhavam a sessão, na terça-feira (26/8), reuniram-se em protesto, todos usando narizes de palhaço.
As penas, que variavam de 18 e 22 anos de reclusão, agora passam a ser de 12 a 11 anos.
“A nossa avaliação de hoje é o grande papel de palhaços que nós estamos fazendo aqui. Os caras mataram 242 filhos nossos e tiveram suas penas reduzidas”, criticou um dos membros da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria.
De acordo com ele, o grupo considera a decisão injusta e até mesmo imparcial.
Assista:
No vídeo, é possível ver os membros da associação usando camisas com fotos das vítimas e narizes de palhaço.
O porta-voz também adiantou que a associação vai recorrer da decisão, passível de recurso. “O Ministério Público conhece a nossa vontade. Já sabe que a gente não vai jogar a tolha, que a gente vai recorrer até a última instância, que nesse caso é o STJ [Superior Tribunal de Justiça]”.
“Essa decisão de hoje é inaceitável. Embora os réus tivessem de cumprir, se não tivesse a redução, mais anos de pena, da cadeia todo mundo sai, mas da cova até hoje eu não ouvi falar de ninguém que tenha saído”, finalizou.
Relembre o caso
- O incêndio na boate Kiss aconteceu na madrugada de 27 de janeiro de 2013, em Santa Maria (RS).
- No total, 242 pessoas morreram na tragédia e outras 636 ficaram feridas.
- Um artefato pirotécnico usado pelo vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos teria dado início ao fogo.
- A maioria das vítimas morreu por asfixia, depois de inalar fumaça tóxica, causada pelo contato do fogo com uma espuma que revestia o teto do palco onde a banda se apresentava.
- As vítimas ficaram presas entre as chamas e a fumaça tóxica, já que o espaço não tinha saída de emergência.
Redução de penas
O TJRS acatou parcialmente os pedidos de redução de penas solicitados pelas defesas dos quatro condenados pelo incêndio da boate Kiss: os sócios do estabelecimento Elissandro Callegaro Spohr (Kiko) e Mauro Londero Hoffmann; o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos; e o ajudante da banda Luciano Bonilha Leão.
As penas, que variavam de 18 e 22 anos de reclusão, agora passam a ser de 12 a 11 anos.
Veja como votaram os desembargadores:
- Rosane Wanner da Silva Bordasch (relatora): votou pela redução parcial das penas, estipuladas em 11 anos de detenção para Luciano e Marcelo, e 12 anos de detenção para Elissandro e Mauro, em regime fechado.
- Luiz Antônio Alves Capra: votou pela redução parcial das penas, acompanhando integralmente o voto da relatora, Rosane Wanner da Silva Bordasch.
- Viviane de Faria Miranda: votou pela redução parcial das penas, acompanhando integralmente o voto da relatora, Rosane Wanner da Silva Bordasch.
As penas, até então, eram as seguintes:
- sócio Elissandro Callegaro Spohr: 22 anos e 6 meses;
- sócio Mauro Londero Hoffmann: 19 anos e 6 meses;
- vocalista Marcelo de Jesus dos Santos: 18 anos; e
- ajudante da banda Luciano Bonilha Leão: 18 anos.
As defesas argumentaram que os acusados deveriam ser submetidos a novo júri, por considerarem que a decisão dos jurados foi contrária às provas dos autos. Subsidiariamente, pleitearam o redimensionamento das penas fixadas naquele julgamento.
O Ministério Público foi representado pela procuradora de Justiça Irene Soares Quadros, que se manifestou contra o pedido das defesas, ao mencionar a culpabilidade dos réus, a intensidade do sofrimento das vítimas e também as consequências do fato para sobreviventes, familiares e a própria cidade de Santa Maria.
Ao portal Metrópoles, o advogado criminalista Jean Severo, que representou Luciano Bonilha, disse estar satisfeito com a decisão, apesar de a defesa ter buscado a anulação do júri, que, em dezembro de 2021, condenou os quatro acusados a penas que variavam de 18 a 22 anos de prisão, sob o pretexto de falhas e irregularidades — assim como apontado pelo TJRS, ainda em agosto de 2022.
“Ficamos satisfeitos com a redução nas penas. Assim, Luciano vai para um regime menos gravoso e [poderá] voltar a tomar as rédeas de sua vida”, avaliou Severo.