Lula assina decreto da TV 3.0; tecnologia garante recursos interativos e melhor qualidade de imagem e som para TV aberta
Foto: EFE/André Borges
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou na quarta-feira (27) o decreto que regulamenta a TV 3.0, também chamada de DTV+.
A nova tecnologia revolucionará a forma de assistir à TV aberta, com melhor qualidade de imagem, som de cinema e interação em tempo real, aproximando a experiência atual dos serviços de streaming.
A partir da regulamentação, as emissoras brasileiras poderão iniciar o processo de implantação do novo sistema.
Segundo o governo, as transmissões devem começar no primeiro semestre de 2026 a partir de grandes capitais. A expansão da cobertura para todo o território nacional levará cerca de 15 anos (entenda mais abaixo).
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, ressaltou a importância da modernização e reforçou que os usuários não precisarão trocar de TV de imediato.
A transição, segundo Filho, será gradual e haverá um período de convivência da tecnologia atual e da nova.
“A implantação será gradual, com um período de convivência entre o sinal da TV digital e o da TV 3.0 por 10 a 15 anos, período que pode ser prorrogado. Será uma migração escalonada a partir das grandes capitais”, disse o ministro.
O presidente do Fórum Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), Raymundo Barros, destacou o salto de qualidade para o telespectador de forma gratuita. “A TV aberta reafirma seu papel como motor da transformação social”, disse Barros.
O diretor-presidente da Globo, Paulo Marinho, afirmou que a nova tecnologia mantém a força da TV aberta e permite avançar na entrega de conteúdo de qualidade e relevante à população brasileira.
“É a TV aberta cada vez mais forte, mantendo a sua relevância. É uma convergência entre o ambiente que conhecemos, da radiodifusão, com os meios digitais. Então a gente vai proporcionar uma televisão mais interativa, mais personalizada, com muito mais qualidade e com uma interatividade bem maior com o consumidor”, afirmou.
Para Renata Abravanel, presidente do Grupo Silvio Santos, a TV 3.0 é um marco de uma maior aproximação com o público.
“É um momento histórico para a TV, que a gente avança em mais uma fronteira de interatividade, de conectividade com o nosso público. Ele vai poder interagir mais com a gente, participar, votar e a gente vai poder estar mais próximo. É um fortalecimento do nosso setor”, ponderou.
O CEO do Grupo Record, Marcus Vinícius Vieira, destacou que além do ganho junto ao público também há um avanço em termos de trazer novos negócios.
“Para gente é um passo enorme tecnologicamente falando. Você vai juntar dois mundos que há muito tempo já era um sonho. É ganho para todo o setor, um grande avanço. A TV 3.0 vai nos ajudar a trazer negócios, atender o mercado de forma geral, mas também o nosso público que vai ter uma plataforma mais amigável”, mencionou.
Amilcare Dallevo, presidente da Rede TV, destacou o alcance da TV aberta para os brasileiros.
“Não tem nada que chegue em mais brasileiros do que a TV aberta, mas, na realidade, vai chegar com mais possibilidades, mais interação, informações e avisos no caso de uma catástrofe, outros recursos de interatividade que hoje só eram disponíveis no computador. Agora, com a TV 3.0, isso também vai estar disponível ali na sala do telespectador”, frisou.
Competitividade
Já o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Flavio Lara Resende, mencionou que a nova tecnologia é determinante “para que a TV aberta se mantenha competitiva, relevante e forte”.
O setor, segundo Lara Resende, defende políticas públicas que facilitem o acesso da população, em especial de baixa renda, aos receptores da TV 3.0.
Márcio Novaes, presidente da Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abratel), explicou que será possível, também, utilizar a TV 3.0 em aparelhos celulares de forma gratuita e sem consumir pacote de dados.
O ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira, afirmou que o avanço tecnológico também trata da soberania nacional.
Segundo Palmeira, o Brasil “não descrimina ninguém” e as empresas que desejam atuar no país serão bem-vindas desde que respeitem a legislação local.
Sidônio ainda destacou que os canais de TV aberta não ficarão escondidos do consumidor por causa de parcerias comerciais. “Os canais de TV aberta devem ter o mesmo destaque que os demais”, disse.
DTV+
📺 A nova tecnologia terá imagens em 4K e 8K, som imersivo, maior interatividade e integração com a internet.
📺 A TV 3.0 oferecerá ao espectador um serviço interativo e gratuito, com publicidade personalizada e integrada à programação personalizadas, focadas nos interesses e na localização de cada um.
📺Num jogo de futebol, por exemplo, o espectador poderá escolher ouvir só o áudio de sua torcida. Em um reality show, como o Big Brother Brasil (BBB), poderá escolher qual câmera seguir. No jornalismo, será possível receber informações de trânsito e clima da região.
📺Com o novo modelo, as TVs terão aplicativos e o usuário poderá reorganizar os ícones dos canais. A troca de canais de forma numérica será substituída pela navegação nos aplicativos, a exemplo do que ocorre com as plataformas de streaming.
Segundo o governo, a tecnologia exige antenas, acopladas à própria televisão ou antenas externas.
O espectador não precisará ter acesso à internet para utilizar a TV 3.0, consumindo o material transmitido pelo sinal aberto e gratuito. No entanto, a internet dará ao usuário melhores opções de conteúdo e a possibilidade de interatividade com os produtos distribuídos pela TV aberta.
Inicialmente, para usufruir da nova geração, será necessário adquirir uma caixinha. Contudo, o objetivo é que, no futuro, os novos televisores já saiam de fábrica com toda essa tecnologia integrada.
DTV+: o novo nome da TV 3.0
A primeira televisão, analógica e com imagens em preto e branco, ficou conhecida como 1.0. Anos depois, surgiu a TV 2.0, com imagens em cores e conectividade à internet.
Agora, a TV 3.0 representa o próximo patamar da televisão digital e, segundo especialistas, entregará mais interatividade, personalização e qualidade de imagem e som (entenda mais abaixo). É como se os canais se tornassem aplicativos.
Em agosto de 2024, o Fórum do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre anunciou o novo nome da TV 3.0 no país, que passou a se chamar Digital Television+ (DTV+).
A tecnologia de transmissão recomendada será a ATSC 3.0, um dos sistemas de transmissão digital mais avançados do mundo.
As vantagens da DTV+ (TV 3.0)
- 🖼️ Melhores imagens: o usuário poderá assistir a conteúdos da TV aberta com mais definição, brilho e contraste, em qualidade 4K e até 8K.
- 📺 Canais: a tecnologia permite que os canais de TV sejam semelhantes a aplicativos. “Em vez de ficar passando de canal em canal, você terá o aplicativo de cada emissora, algo mais próximo do que já vemos hoje nas Smart TVs”, disse Wilson Diniz, secretário de Comunicação Social Eletrônica do Ministério das Comunicações.
- 🔈Som imersivo: a nova tecnologia oferece uma experiência sonora envolvente, com qualidade de cinema, de acordo com especialistas.
- 📣 Personalização da publicidade: assim como já acontece nas redes sociais, as emissoras poderão segmentar ainda mais os anúncios, entregando opções personalizadas. “Se a pessoa quer trocar de carro, será possível exibir propagandas que falem diretamente com quem está em busca de um novo veículo,” explicou Leonora Bardini, diretora de programação da TV Globo.
- ⚡Interatividade: o público poderá interagir com conteúdos da TV aberta, como votar em enquetes e até comprar produtos exibidos ao vivo.
“Assim que ligar e se logar, a TV já vai te conhecer, saber seus gostos e oferecer uma combinação de conteúdo e publicidade. É uma TV personalizada, feita exclusivamente para cada pessoa”, disse Leonora Bardini.

Depende de internet?
Não será necessária conexão à internet para usufruir das vantagens da TV 3.0, explicou Wilson Diniz. “A qualidade de imagem 4K, 8K e o som imersivo estarão disponíveis, mesmo que o usuário não tenha conexão”, explicou o secretário das Comunicações.
No entanto, conectar a TV à internet permite uma experiência mais completa, ampliando as possibilidades de interatividade e personalização, segundo especialistas.
Por exemplo, será possível comprar a mesma roupa que o ator usa na novela ou o bolo que acabou de aparecer no programa de culinária. Além disso, você poderá votar para eliminar um participante de um reality show — tudo diretamente pela televisão.
“Em um jogo entre Brasil e Argentina, a TV já saberá que você é torcedor do Brasil e proporcionará uma experiência completa que dialoga com a sua seleção ou time do coração,” exemplificou a diretora de programação da TV Globo, Leonora Bardini.
“Isso será possível porque você já informou o seu time ao acessar o ge.globo, por exemplo. Tudo estará sincronizado,” completou a executiva.
Preciso trocar de televisão?
“Ninguém precisará trocar a televisão de uma hora para outra”, disse o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, na quarta-feira (27).
Num primeiro momento, assim como ocorreu na transição do sinal de TV analógico para o digital, será necessário adquirir um conversor para usufruir da experiência da DTV+.
Segundo Siqueira Filho, vai existir um “período de convivência entre as duas tecnologias”: TV digital e TV 3.0, e ele poderá ser prorrogado conforme a necessidade da evolução.
A migração será escalonada, a partir das grandes capitais. “Vamos ter um tempo necessário para a indústria se adaptar, os conversores se popularizarem e as trocas de televisões, devido ao tempo de uso, acontecerem naturalmente”, resumiu o ministro.
A expectativa é que, no futuro, os novos televisores já venham de fábrica com suporte à nova tecnologia, dispensando o conversor. As fabricantes estão envolvidas nas discussões da DTV+ desde o início, justamente para preparar o mercado.
Quanto vai custar o conversor?
Deve custar entre R$ 300 e R$ 350, estimou o ministro das Comunicações em entrevista à GloboNews na quarta-feira (27). Os aparelhos ainda estão sendo desenvolvidos.
O governo não confirmou se existirá algum programa de incentivo para a compra do equipamento, mas há discussões sobre a possibilidade de entrega gratuita para famílias de baixa renda, similar ao que ocorreu na expansão do sinal digital.