EUA caminham para autocracia nos moldes dos anos 1930, alerta bilionário Ray Dalio

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Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, fala durante festival em Nova York, nos EUA - Andrew Kelly - 22.mai.24/Reuters

O bilionário Ray Dalio, fundador da gestora Bridgewater Associates, alertou que os Estados Unidos sob Donald Trump estão se aproximando de uma política autocrática semelhante à dos anos 1930 —e afirmou que outros investidores têm medo de confrontar o presidente.

Em entrevista ao Financial Times, Dalio disse que “lacunas de riqueza”, “diferenças de valores” e o colapso da confiança estão impulsionando políticas cada vez mais extremas no país.

“Penso que o que está acontecendo agora, política e socialmente, é análogo ao que ocorreu no mundo no período de 1930-40”, afirmou.

Ele citou como exemplo a intervenção estatal no setor privado, como a decisão de Trump de adquirir 10% da fabricante de chips Intel, classificando a medida como um tipo de “liderança autocrática forte que surgiu do desejo de controlar a situação financeira e econômica”.

As declarações representam uma rara crítica pública a Trump por parte de uma figura de destaque do setor financeiro, apesar da crescente preocupação, em privado, entre investidores de Wall Street com as políticas do presidente.

“Estou apenas descrevendo as relações de causa e efeito que estão impulsionando o que acontece”, disse Dalio. “Aliás, em tempos assim a maioria das pessoas se cala porque teme retaliações ao criticar.”

O investidor, que transformou a Bridgewater em um gigante de US$ 150 bilhões no auge, também advertiu sobre as ameaças à independência do Fed (Federal Reserve), dias depois de Trump ter tomado a inédita decisão de demitir uma de suas diretoras.

Segundo ele, um banco central enfraquecido politicamente e pressionado a manter juros baixos “minaria a confiança no Fed como defensor do valor do dinheiro e tornaria menos atraente deter ativos em dólar, enfraquecendo a ordem monetária como a conhecemos”.

Dalio acrescentou que investidores internacionais já começaram a migrar de títulos do Tesouro para o ouro.

Ele também alertou que anos de déficits elevados e crescimento insustentável da dívida levaram os EUA à beira de uma crise fiscal. “Os grandes excessos projetados com o novo orçamento provavelmente causarão um ataque cardíaco induzido pela dívida em futuro relativamente próximo”, disse, estimando o prazo em cerca de três anos.

Segundo o investidor, Washington gasta atualmente cerca de US$ 7 trilhões por ano e arrecada apenas US$ 5 trilhões, desequilíbrio que exige novas emissões de dívida justamente quando investidores questionam se os Treasuries ainda são “bons depósitos de riqueza”.

Com isso, o Fed enfrentaria um dilema: “Permitir que os juros subam e ter uma crise de inadimplência da dívida, ou imprimir dinheiro e comprar o que outros não comprariam.” Ambos os caminhos, disse, enfraqueceriam o dólar.

Dalio, autor de “Princípios para a ordem mundial em transformação: Por que as nações prosperam e fracassam” e “How Countries Go Broke: the Big Cycle”, afirmou ainda que democracias tendem a enfraquecer quando desigualdades se aprofundam, abrindo espaço para lideranças autocráticas.

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