África quer US$ 50 bilhões por ano para investir em soluções climáticas na região
Fachada da sede da União Africana, em Addis Abeba, capital da Etiópia - Ludovic Marin - 13.mar.19/AFP
A África está buscando garantir US$ 50 bilhões (cerca de R$ 270 bilhões) por ano para uma nova iniciativa continental de soluções climáticas.
A proposta foi apresentada na declaração final na Segunda Cúpula do Clima da África, que reuniu líderes do continente para debater os efeitos das mudanças climática. A reunião ocorreu em Addis Abeba, capital etíope, e terminou na quarta-feira (10).
A iniciativa sobre o financiamento é encabeçada pelo primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed.
Os líderes dos 54 países africanos enfatizaram na cúpula que o continente têm sido atingido por deslizamentos de terra, enchentes e secas neste ano. Por outro lado, afirmaram que desejam manter seus compromissos climáticos, apesar da retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o Clima.
O esforço envolve a criação do Pacto de Inovação Climática da África e do Fundo Climático Africano, segundo o texto da declaração, “para mobilizar US$ 50 bilhões anualmente em financiamento catalítico para promover soluções climáticas”.
Autoridades etíopes não responderam imediatamente aos pedidos de mais informações feitos pela reportagem, mas Abiy afirmou na cerimônia de abertura da cúpula, na segunda-feira (8), que a iniciativa deve buscar entregar 1.000 soluções para enfrentar os desafios climáticos até 2030.
A Etiópia tem destacado sua campanha de plantio de árvores iniciada em 2019 e uma mega-usina hidrelétrica lançada na terça-feira (9) como evidência da capacidade da África de liderar o desenvolvimento econômico enquanto protege seus ecossistemas.
Durante a abertura da cúpula, líderes africanos supervisionaram um acordo entre financiadores de desenvolvimento africanos e bancos comerciais para mobilizar US$ 100 bilhões (cerca de R$ 540 bilhões) em investimentos para geração de energia verde.
A África precisa de mais de US$ 3 trilhões (cerca de R$ 16 trilhões) para cumprir suas metas climáticas até 2030, mas recebeu apenas US$ 30 bilhões (cerca de R$ 162 bilhões) entre 2021 e 2022, segundo a declaração da cúpula.
O documento pede compromissos internacionais mais fortes e parcerias para fechar a lacuna de financiamento, com foco em permitir a adaptação às mudanças climáticas por meio de subvenções.
O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, participou na abertura da Cúpula do Clima da África, em Adis Abeba, na segunda-feira (8).
Corrêa enfatizou no seu discurso um chamado para que os países realizem uma ação conjunta.
“A África faz parte da nossa identidade”, afirmou. “Quando a África fala com uma só voz, o mundo precisa ouvir”.
O brasileiro destacou ainda em sua fala a injustiça climática que atinge o continente africano.
“O mundo precisa lutar contra a mudança do clima pela África, porque a contribuição africana para o aquecimento global é absolutamente mínima”, afirmou.
Na semana passada, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, Marina Silva, também esteve na capital da Etiópia.
Ela pediu o fim do uso dos combustíveis fósseis e do desmatamento, considerando as limitações de cada país.
Ela participou, na sexta-feira (5), do encerramento do Balanço Ético Global, iniciativa do Brasil em parceira com as Nações Unidas (ONU) para aumentar a participação da sociedade civil na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP30, marcada para novembro, em Belém.
“Precisamos iniciar o planejamento de forma justa para o fim do desmatamento e o fim dos combustíveis fósseis. Não podemos mais continuar sem atacar as causas da mudança do clima”, enfatizou a ministra.
Para Marina Silva, o grande desafio da transição energética é ajudar os países que não têm condições econômicas de abandonar os combustíveis fósseis por conta própria.
“O grande desafio é que a gente possa fazer uma transição justa e planejada para o fim de combustível fóssil, acelerando a energia renovável, ajudando os países que, às vezes, têm que usar carvão, têm que usar lenha, para que possam ter também outras alternativas”, acrescentou.
Com Agência Brasil