‘O Agente Secreto’ vai tentar vaga para o Brasil no Oscar 2026 após superar ‘Manas’; Lula comemora

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Wagner Moura no filme 'O Agente Secreto' - Divulgação

“O Agente Secreto” teve seu favoritismo confirmado na segunda-feira (15) e foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para tentar uma vaga na disputa de melhor filme internacional do Oscar do ano que vem, marcado para o dia 15 de março.

A decisão foi tomada em meio à gritaria das redes sociais, que ao longo da última semana viraram palco de uma disputa acalorada entre o longa de Kleber Mendonça Filho e “Manas”, de Marianna Brennand, que surgiu como sério candidato na disputa repentinamente.

Agora, “O Agente Secreto” será apreciado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, responsável pelo Oscar, junto com os títulos escolhidos por outros países. O órgão não pode indicar, em melhor filme internacional, produções que não tenham sido as escolhas oficiais de cada nação.

Assim, se “Manas” decidir dar sequência à campanha de internacionalização que começou nas últimas semanas, ficará restrito às outras categorias da premiação. “O Agente Secreto”, por sua vez, já é ventilado pela imprensa americana como possibilidade também em melhor filme, roteiro original, direção e ator, para Wagner Moura, o que deu força para sua campanha diante da Academia Brasileira de Cinema.

Na área de comentários da transmissão ao vivo no YouTube em que a escolha foi anunciada, fãs e haters se reuniram logo cedo para defender, em especial, “O Agente Secreto”. Poucas horas depois, a função de comentários foi desabilitada.

No fim de semana, a disputa dicotômica tomou proporções que geraram desconforto na indústria, com publicações feitas por nomes como Fernanda Torres, Bárbara Paz e Anna Muylaert nas redes sociais.

Também estavam pré-selecionados para tentar a vaga brasileira os filmes “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro; “Baby”, de Marcelo Caetano; “Kasa Branca”, de Luciano Vidigal, e “Oeste Outra Vez”, de Erico Rassi.

Presidente da comissão de seleção do candidato brasileiro, Sara Silveira afirmou, durante o anúncio desta segunda, que a responsabilidade da escolha foi grande. “Era uma escolha no cérebro de 15 pessoas, que foi raciocinada, pensada e não gerou lutas ou conflitos enormes. Houve harmonia, que é o que eu quero e o que precisamos para o cinema nacional”, afirmou.

Ela também saudou “Manas” e o fato de uma diretora mulher ter chegado tão perto da indicação. Rodrigo Teixeira, produtor de “Ainda Estou Aqui”, que participou da decisão, condenou ainda ataques que Brennand teria sofrido.

Também integraram o comitê Ailton Franco Junior, Cecilia Amado, Cibele Amaral, Eva Pereira, Felipe Lopes, Hsu Chien Hsin, Jeferon De, Lázaro Ramos, Maíra Oliveira, Marcelo Serrado, Simone Zuccolotto, Solange Moraes e Tatiana Issa.

“Não há necessidade de se blindar, até porque falamos de um cinema construído por muitos. Fazer essa escolha de maneira desconectada da realidade seria de uma certa soberba”, afirmou a roteirista Maíra Oliveira, ao ser questionada sobre a gritaria da internet. “A necessidade é de valorizar o debate democrático que foi esta escolha. É importante debater, ter divergência e celebrar coletivamente este voto.”

Em 16 de dezembro, a academia hollywoodiana vai anunciar a lista de pré-indicados ao Oscar de filme internacional. O anúncio de quem de fato concorre à estatueta acontece no dia 22 de janeiro.

Nos Estados Unidos, “O Agente Secreto” é da Neon, distribuidora poderosa e influente, responsável pelo grande vencedor deste ano, “Anora”, e que pode alavancar a campanha e emplacar um filme brasileiro na disputa logo após a vitória de “Ainda Estou Aqui”. Do outro lado do Atlântico, no Reino Unido, a distribuição é da Mubi, outra com poderio significativo.

Lula comemora escolha de ‘O Agente Secreto’ ao Oscar e afirma que cinema vive grande momento

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a força do cinema nacional ao comemorar a escolha de “O Agente Secreto” como representante do Brasil na corrida pelo Oscar. O anúncio foi feito pela Academia Brasileira de Cinema na segunda-feira (15).

Em publicação no X (antigo Twitter), Lula lembrou que já havia assistido ao longa ao lado da primeira-dama, Janja, e de parte do elenco. Ele elogiou o trabalho de Kleber Mendonça Filho, diretor do filme, e de Wagner Moura, protagonista da produção. “O audiovisual brasileiro vive um grande momento, fruto de muito talento, trabalho e incentivo”, escreveu o presidente.

Kleber Mendonça respondeu à mensagem de forma breve: “Presidente Lula! Grande abraço”. O diretor já havia levado o longa a Cannes, onde a obra foi premiada tanto pela direção quanto pela atuação de Moura.

Na disputa pela indicação, o filme superou outros cinco finalistas: “Baby”, de Marcelo Caetano, “Kasa Branca”, de Luciano Vidigal, “Manas”, de Marianna Brennand, “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro, e “Oeste Outra Vez”, de Erico Rassi.

“Estou certo de que O agente secreto vai representar o nosso cinema com louvor”, completou Lula em sua publicação.

A TRAMA

Ambientado no final dos anos 1970, durante o regime militar, o longa traz Wagner Moura no papel de Marcelo, um professor universitário especialista em tecnologia. Após anos vivendo em São Paulo, ele retorna ao Recife, sua cidade natal, em busca de paz e respostas sobre o passado da família.

A tentativa de recomeço, no entanto, logo se transforma em tensão. Disfarçado como funcionário de cartório, Marcelo passa a investigar a morte da mãe enquanto se refugia em um “aparelho” que abriga dissidentes políticos e outras figuras marginalizadas. Nesse ambiente de resistência, o personagem se vê envolvido em uma rede de espionagem e conspirações que marcam o thriller.

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